
Nesta sátira aos filmes sobre desastres com grandes orçamentos, um planetóide assassino ameaça a Terra. Para combater esta ameaça, o governo volta-se para o Vulcanólogo Harold Bottoms. Harold reúne uma equipa de especialistas em desastres e juntamente com a equipa de voo da Nasa e um flatulento astronauta francês, os nossos heróis enfrentam numerosas e absurdas complicações, incluindo os perigosos gazes dados por Bidet e um irritado macaco do espaço que habita no planetóide.
Elenco
Tommy Lee, Mick Mars, Glenn Morshower, Vince Neil, Nikki Sixx
Realizado por Roy Wood
Crítica
Além da personificação de animais, filão e fonte de gargalhadas que a animação mainstream tem explorado até à exaustão, outro traço visível, que tem puxado definitivamente o género para território adulto, é a paródia a filmes sobejamente conhecidos do grande público. Em “Disaster!” de Roy Wood, obra do ano passado que agora chega às salas portuguesas, esse traço é não só assumido como é linha estruturante da história, fundindo a animação e o conhecido spoof movie. Desta vez, os alvos de desconstrução são a nova vaga dos anos 90 de obras que lidam com catástrofes naturais.
Assim, recuperando os principais momentos de “Armageddon”, “Deep Impact” e “Space Cowboys”, o argumento de “Disaster!” assume a colagem desmiolada, bastantes vezes sem nexo. As principais personagens, médicos nucleares, vulcanologistas ou caça tempestades, verdadeiros heróis como nomes sugestivos como Harry Bottoms ou Sandy Mellons, são recrutadas para se meter numa nave espacial e destruir um gigantesco meteorito que, em rota de colisão com a terra, ameaça acabar com a espécie humana.
Na verdade, existe uma certa condescendência no que toca à coerência dos argumentos, quando falamos de spoof movies. Não “existindo almoços grátis”, como dizia o outro, a compensação para essa dispersão narrativa tem de vir de algum lado. Mais do que certo é que venha do fluxo ininterrupto de gags. Ora, esse é o principal problema do filme. Naquilo em que tenta esforçar-se ao máximo, raras vezes triunfa. Poucos são os momentos genuinamente divertidos, sendo que a lição de humor negro, escatológico e ordinário de “South Park” ou “Family Guy” foi mal apreendida. Esta só serve para que em “Disaster!”, o sexo, o sangue, os dejectos e as flatulências sejam muitas vezes “refrão” deslocado da obra. Só estão lá, sem que se articulem com algo mais. Bom exemplo disso é Bidet, um estereotipado francês comedor de queijo, controlador de uma estação espacial estrangeira (mas incapaz de controlar os seus próprios gases) que os protagonistas encontram na sua aventura espacial.
Neste mundo pró-armageddon (onde até o herói Harold Bottoms tenta também resguardar a filha do garanhão de serviço), ninguém parece estar a salvo do humor cabotino de Roy Wood. Seja o Presidente dos EUA que aqui é um divertido latino que se prepara para se refugiar num abrigo especial juntamente com alguns escolhidos (diga-se, mulheres de exemplares medidas que, juntamente com ele, possam perpetuar a espécie), seja Stephen Hawking, que aqui, numa réplica cientista, se baba ininterruptamente e não se coibe de fazer amor, ainda que seja por escrito.
À medida que a história avança vão-se sucedendo as referências a filmes do género como “Apolo 13”, “Volcano”, “Twister”, entre outros, sendo que no final muito pouco fica para recordar.
Destaque positivo para a forma descomplexada como Roy resolve caricaturar a própria estrutura do filme com momentos como: “não, não temos tempo para outro flashback”, gracinhas que já podíamos ver no mais acutilante “Team América” de Trey Parker, um dos principais nomes de “South Park”… 4/10 Carlos Natálio

