“WTC” conta a história de dois bombeiros que ficaram presos nos destroços durante várias horas.
Elenco
Nicolas Cage , Michael Pena
Realizado por Oliver Stone
Crítica
Cinco anos depois dos atentados às Torres Gémeas, em Nova Iorque, Oliver Stone traz-nos o lado dos acontecimentos que a televisão não mostrou. Baseado em relatos dos sobreviventes e transmissões rádio feitas na altura, “WTC” conta a história de dois bombeiros que ficaram presos nos destroços durante várias horas e que acabaram por ser encontrados e salvos.
O projecto nasceu quando a produtora Debra Hill descobriu num jornal a história do sargento John McLoughlin (Nicolas Cage) e de Will Jimeno (Michael Pena). Os dois homens tinham sobrevivido ao desabamento do edifício quando estavam no piso zero. Toda a equipa que ia com eles morreu, excepto estes dois bombeiros, que ficaram soterrados, Jimeno durante 16 horas e McLoughlin durante 22 horas. Hill convence os dois homens a vender a sua história para fazer um filme e a partir daí Oliver Stone toma as rédeas da câmara e filma esta fita de grande impacto.
Apesar de ser sobre os atentados, o filme não mostra realmente os atentados. Aquilo que o espectador vê é basicamente o que vimos nas imagens de televisão: o horror dos edifícios em chamas, a chuva de papéis, os corpos a cair das janelas. Estas imagens são transmitidas em fracções rápidas e em sequências intercaladas com as imagens “ficcionais” do filme. Falamos dos bombeiros e dos seus rituais naquele dia, que parecia mais um dia normal e se transformou no 11 de Setembro. Seguimos os bombeiros quando sabem da notícia e imediatamente se dirigem para as torres gémeas para ajudar. E estamos com eles quando ficam presos debaixo dos escombros.
Oliver Stone intercala esta parte da história com outras duas narrativas: a das famílias, que desesperam por não saber do paradeiro de Jimeno e McLoughlin; a do marine David Karnes que, movido pela fé religiosa, se dirige para os escombros quando todos já tinham recolhido e acaba por encontrar os dois homens. Esta é uma história de coragem, sofrimento e esperança. Mas, sinceramente, não é o que o espectador quer ver num filme sobre o 11 de Setembro.
Este é um filme onde se nota o cuidado extremo do realizador em não ferir susceptibilidades. Por isso mesmo, são poucas as imagens do horror do 11 de Setembro que aparecem, limitando o que aparece no ecrã a alguns momentos chave deste dia. Mas com este comedimento, o espectador sente-se, de algum modo, ludibriado. Esperava-se o drama humano dos dois bombeiros, mas também a dor colectiva de Nova Iorque, e mais momentos fora das histórias dos dois homens. A falta de equilíbrio entre estas duas situações torna o filme algo incompleto e demasiado politicamente correcto.
Não obstante a força da realização de Stone, o fantástico desempenho dos actores e a reconstrução fiel dos acontecimentos, a nível de cenários e da reconstrução das torres, o espectador deste “WTC” sente-se algo defraudado… esperava-se mais dos atentados, mais do drama que foi a queda das torres, mais momentos ligados ao terrorismo e talvez não tanto enfoque na história dos dois bombeiros. De facto, esta é a história motivadora do filme e o motivo pelo qual ele é feito; mas quando se fala do 11 de Setembro, é impossível não pedir mais alguns detalhes da queda das torres e do drama dos aviões.
Apesar do fantástico desempenho dos actores, o filme acaba por se tornar um pouco monótono, já que muitas vezes vemos apenas os diálogos entre os dois homens e o seu sofrimento, aliado ao sofrimento das famílias. O sofrimento nunca é visto de ânimo leve, mas há momentos do filme em que a dinâmica se quebra e queremos alguma acção a passar na tela. Oliver Stone, certamente inspirado nos relatos dos dois homens, usa e abusa das imagens religiosas e de figuras de Jesus Cristo, que aparecem envoltas em luz. Esta situação poderia funcionar melhor se não fosse utilizada tão excessivamente. Também os flashbacks dos dois bombeiros, apesar de nos ajudarem a compreender melhor a história de cada um, são longos e por vezes surgem nos momentos errados.
Esperava-se mais desta fita de Oliver Stone. Um filme que podia ir mais longe e que me desiludiu a nível de conteúdo, mas não de forma… 6/10 Cátia C. Simões

