
Dois jovens amigos, depois de terem terminado o curso, decidem empreender uma viagem pela Europa. Procuram muita diversão, sexo, drogas e tudo o que dificilmente poderiam encontrar nos Estados Unidos. Na viagem conhecem Oli, um islandês com uma enorme apetência e lata para as mulheres. Em Amesterdão eles recebem uma dica. Há uma hospedaria na Eslováquia onde podem encontrar raparigas dispostas a quase tudo. Os três decidem então aventurar-se por lá. No entanto, eles acabam por descobrir que o destino reservara-lhes algo muito macabro.
Elenco
Jay Hernandez, Derek Richardson, Eythor Gudjonsson, Barbara Nedeljakova, Jana Kaderabkova, Jan Vlasák, Jennifer Lim, Lubomir Silhavecky, Paula Wild, Lubomir Bukovy, Petr Janis, Jana Havlickova, Vanessa Jungova
Realizado por: Eli Roth
Crítica
“Hostel”, a nova bomba americana no cinema de horror, é um trabalho de Eli Roth, um cineasta que se tinha estreado no cinema com um filme de zombies, a meu ver, bastante sobrevalorizado.
Apadrinhado por Quentin Tarantino, que está activo como nunca na questão de “apresentar” filmes, “Hostel” nasceu a partir de um endereço da Internet onde supostamente se pagássemos o suficiente poderíamos torturar alguém.
Mas o filme começa bem longe deste princípio macabro, e começa como a maioria dos filmes teens dos dias de hoje. Dois jovens americanos, juntamente com um islandês “engatatão”, vagueiam pela Amesterdão estereotipada que oferece droga, mulheres e muito sexo. Porém, os jovens americanos não são como o islandês, e há um deles que têm mesmo sérias reservas em pagar para ter sexo com uma mulher. Instigados por um conhecido, os três rapazes partem para a Eslováquia onde todas as mulheres desejam ter sexo com um americano.
Quando chegam a este país denotam logo diversas diferenças, a começar na estranha hospedaria que mais parece a mansão de Hugh Hefner. Esta hospedaria é velha, misteriosa e dirigida por uma mulher que adverte os rapazes que terão de partilhar o quarto. “Isso é tão gay”, diz um deles. (Antes fosse, pensariam eles mais tarde)
A verdade é que o que espera estes homens só pode ser comparado com o que Tarantino e Clooney sofreram em “From Dusk Till Dawn” – um filme que bem se pode dizer estar fragmentado em dois.
Aqui sucede o mesmo. Temos uma primeira parte que mais parece um “Eurotrip” com bolinha no canto, onde não faltam rios de droga, mulheres nuas e sexo… muito sexo.
Depois começa um outro filme, que provoca alguma tensão – mas que nunca tem como objectivo ser de terror. É que não haja dúvidas. “Hostel” é um filme de Horror. Macabro, doentio, mas perversamente delicioso, esta segunda obra de Eli Roth é verdadeiramente genuína, sem grandes corantes ou conservantes de produção, e o cineasta consegue aqui ter todos os pormenores interessantes que finalmente o destacam como um cineasta alternativo para o futuro: tem uma grande visão estética, um grande sentido de “câmara” e um toque indelével de choque que o marcará nos livros de cinema daqui a muitos anos.
Aliás, Roth, Tarantino e Rodriguez pode-se dizer que são farinha do mesmo saco, faltando ainda ao primeiro algum polimento no material que cria – algo que também Rodriguez só agora vai tendo.
E tal como o seu “apresentador”, Roth também não tem problemas em fazer as suas devidas homenagens a diversas cinematografias, especialmente à asiática, destacando-se o trabalho de Takeshi Miike – que curiosamente participa breves instantes na obra.
O assobio “Kill Bill” e uma japonesa que mais parece saída de “Stacy” são outras referências, não faltando algum toque de alguns filmes onde as produções snuff são referência obrigatória.
Por todas estas razões, “Hostel” acaba por ser um filme interessante, ainda que de forma perversa e mesmo doentia. Mas o cinema tem destas coisas, e há quem valorize o carisma e grafismo de uma obra em detrimento de uma história consistente ou personagens bem trabalhadas. Neste caso, isso funciona e “Hostel” será certamente um filme de culto…
De qualquer maneira, não tenho dúvidas que “Hostel” não é um filme consensual. Mas com aquilo que envolve, seria impossível sê-lo… 6/10 Jorge Pereira
P.S- Muito se tem falado do Gore deste filme. Para os habituados aos trabalhos de Takeshi Miike, “Hostel” acaba por ser para menores de 6 anos…

