Hana, Gin, e Miyuki formam aquilo que podemos chamar uma “família” muito pouco usual. Primeiramente há que referir que esta ligação existe apenas devido ao seu estatuto de “vagabundos” e companheirismo.
Hana é um homossexual que sonha um dia ser mãe. Gin é um homem mais velho que outrora tinha uma mulher e filha. As dívidas ao jogo levaram-no à decadência e fuga do mundo real. Finalmente, Miyuki é uma jovem que fugiu de casa devido a conflitos com o pai.
Pai, mãe e filha, é o que estes três mais parecem no dia-a-dia. Vagueiam pela cidade, inseparáveis, discutem imenso, enfim… são a típica família dos século XXI.
Um dia, e no meio de uma discussão ao pé de uma lixeira, os três dão de caras com um bebé abandonado. O instinto dizia que deviam entragar o caso à polícia, mas eles decidem optar por ficar com a criança e entregá-la à mulher que a tinha abandonado. Como haviam algumas pistas junto à criança, agora era só segui-las.
“Tokyo Godfathers” é um típico filme de natal. As personagens são divertidas e demonstram um grande lado humano. Aliado a esta riqueza das personagens temos uma forte narrativa, repleta de pequenos sub-enredos que lhe dão um toque muito especial. O tom, da fita, é sempre muito dramático- mas com bastante humor.
A animação está mais próxima da tradicional do que da super evoluída, filha do “Renderer”. Isso não é negativo pois a história em si tem muito de real e quem a vive são pessoas e não animais, ou mundos imaginários. (ao contrário da maioria dos filmes “made in USA”.
Com bastante sentimento e muitos motivos para se sentirem comovidos, “Tokyo Godfathers” prova que não são as aparências que nos dão o sentido real das pessoas, mas sim os seus actos. Nesse aspecto, estes três personagens enchem o nosso coração de esperança e o ecrã de espírito natalício.
A não perder… 8/10
Jorge C. Pereira

