Numa cela da Casa de Detenção de São Paulo, o popular Carandiru, dois detidos (Lula e Peixeira) enfrentam-se num acerto de contas. O clima é tenso.
Outro detido, Nego Preto, espécie de “juiz” para desavenças internas, soluciona o caso a tempo de dar as “boas-vindas” ao Médico, recém-chegado e disposto a realizar um trabalho de prevenção à Sida na prisão.
No maior presídio da América latina o Médico depara-se com problemas gravíssimos como superlotação, instalações precárias e doenças como a tuberculose, leptospirose, caquexia, além de uma pré-epidemia de Sida.
Os encarcerados lamentam, além da falta de assistência médica, a assistência jurídica. O Carandiru, com os seus mais de sete mil detidos constitui um grande desafio para o Médico recém-chegado. Bastam apenas alguns meses de convivência para que ele perceba algo que o transformará: mesmo vivendo na situação-limite, os detidos não são figuras demoníacas. No convívio com os presos que visitam o seu consultório improvisado, o Médico testemunha a solidariedade, organização e, acima de tudo, uma grande disposição de viver.
Elenco
Caio Blat, Gero Camilo, Milton Goncalves, Nelson Machado, Maria Luisa Mendonca, Lazaro Ramos, Rodrigo Santoro, Luis Vasconcuelos
Realizado por Hector Babenco
Site Oficial
Crítica
Amado por uns, odiado por outros, Carandiru é o mais recente filme brasileiro a abordar o lado social do Brasil de uma forma directa e com muito poucas figuras de estilo que lhe poderiam conferir um cenário mais poético e desinteressado na interecção cara-a-cara com o espectador. Estamos numa das piores prisões do Brasil. O Carandiru é sobrelotado e vários problemas afectam a sua comunidade. Doenças, maus tratos, gangs de prisioneiros, tudo é visto por todos e nada é feito. São nítidamente cidadãos de segunda, mas não vamos esqueçer as razões pelas quais eles foram lá parar. Muitas delas são apresentadas como injustiças e há sempre muitas nestes locais. A janela para o mundo do crime é apresentada em Flashbacks que reconstroiem os actos e a vida dos variadissimos prisioneiros, a partir de uma única visão; um médico.
Crítica
Talvez Carandiru seja um dos filmes mais difíceis de se ver, falar e escrever, pois existem várias versões para o grande motim – desfecho da película – mas só é mostrada uma delas. O filme foi inspirado no livro do médico Dráuzio Varella e apesar das aparentes falhas, Hector Babenco foi fiel àquele que é considerado um dos grandes livros-reportagem narrados do ponto de vista de alguém bem distante do jornalismo. O resultado disso pode ser visto por uma camada dos espectadores como algo tendencioso, principalmente ao mostrar a acção da polícia numa das últimas seqüências. De qualquer maneira este ponto de vista não pode deixar de ser considerado.

