‘The Human Stain’

(Fotos: Divulgação)
Sinopse

The Human Stain é a história de Coleman Silk (Anthony Hopkins), um distinto professor numa escola de New England, cuja vida profissional é abalada devido a acusações racistas e a vida pessoal afectada por uma mentira que ele vive há 50 anos. A sua carreira e reputação estão arruinadas, mas Silk começa uma dinâmica recuperação através de duas novas relações: uma de amizade com o escritor Nathan Zuckerman (Gary Sinise) que o intriga com a sua história, e uma amorosa com uma mulher bastante mais nova (Nicole Kidman). Realizado pelo vencedor de vários Óscares da academia, Robert Benton, (“Superman”, “Kramer vs. Kramer”, “Places in the Heart”), The Human Stain é baseado no livro de Phillip Roth e adaptado para o cinema por Nicholas Meyer. Para além dos actores já citados, o filme conta também com a participação de Ed Harris.

Elenco

Anthony Hopkins, Nicole Kidman, Ed Harris, Gary Sinise, Jacinda Barrett, Wentworth Miller, Lydia Zadel

Realizado por Robert Benton

Site Oficial

Crítica

Coleman Silk é um respeitado professor, e reitor, numa universidade. Um dia, e referindo-se a dois estudantes, constantemente ausentes da sua aula (de tal maneira que nunca os viu), Silk apelida-os de ‘spooks’. Ora, ‘Spooks’ significa assombrações mas este termo durante muitos anos foi utilizado de forma depreciativa para com os negros americanos. Levando a situação ao limite, o professor Silk é obrigado a demitir-se e tudo porque não quis desvendar ele próprio o maior segredo da sua vida; ele próprio é negro.

Ao contrário de filmes como o ‘Jogo de Lágrimas’, ‘ Sexto Sentido’ ou ‘The Others’, estar aqui a divulgar este segredo não é muito relevante. Mais importante que ele é a forma como esta omissão alterou constantemente a sua vida, numa América fustigada por um passado tremendamente racista.

O mundo pensa que Silk (Anthony Hopkins) é judeu. Foi assim que ele cresceu como respeitado professor e construiu uma vida inteira.

Iria ele mostrar ao mundo inteiro o seu segredo para se defender neste caso? Não. Sem emprego e sem mulher (que morre logo após o despedimento deste), Silk começa a vaguear um pouco, pensando na sua vida e no que poderia ser diferente.

Conhece então Nathan Zuckerman (Gary Sinise), um escritor ‘bloqueado’ a quem decide contar a sua história.
O filme começa então a deambular entre os factos passados- onde nos mostra desde bem cedo o crescimento da personagem de Silk e as razões do nascimento de tal mentira- e um presente que apresenta Nicole Kidman como objecto do desejo de Hopkins e fonte de rejuveniscimento.

Tudo isto é narrado por Sinise com a mestria habitual que este actor sempre nos presenteia.

Para enriquecer mais ainda o casting temos Ed Harris, o obsessivo ex-marido de Kidman, que curiosamente é uma peça fulcral no desenvolvimento final da película. Todo o elenco está muito bem escolhido mas uma das grandes questões que certamente estarão a pensar é… como é que Antonhy Hopkins passa por negro?

A minha resposta é simples. Há um negro que passa por racista branco num comboio (numa das cenas do filme) e nós nem distinguimos.

Para ajudar, o grande actor que Anthony Hopkins é dissipa logo essa questão. Mas apesar do filme levantar tantas surpresas, duvidas e questões, estas são por nossa sugestão.

O desenrolar dos eventos é pouco atraente e apesar de parecer estarmos perante uma obra única, isso não acontece.
Muitas das formas de apresentar os factos são pouco apelativas e caímos muitas vezes numa magnitude de interpretações que não consegue, de todo esconder, alguma falta de interesse no que vai ocorrendo.

A figura do escritor ‘bloqueado’ que encontra na história de Silk a sua inspiração também está, cine mat ográficamente, gasta. O final atípico salva um pouco as coisas mas o longo processo de ‘contar’ a vida de Silk (passada e actual), que em teoria deveria ser entusiasmante, acaba por ser fastidioso.

De qualquer maneira merece uma olhadela…e já agora leiam o livro de Philip Roth . 6/10 Jorge C. Pereira

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