
Elenco
Anthony Hopkins, Nicole Kidman, Ed Harris, Gary Sinise, Jacinda Barrett, Wentworth Miller, Lydia Zadel
Realizado por Robert Benton
Site Oficial
Crítica
Coleman Silk é um respeitado professor, e reitor, numa universidade. Um dia, e referindo-se a dois estudantes, constantemente ausentes da sua aula (de tal maneira que nunca os viu), Silk apelida-os de ‘spooks’. Ora, ‘Spooks’ significa assombrações mas este termo durante muitos anos foi utilizado de forma depreciativa para com os negros americanos. Levando a situação ao limite, o professor Silk é obrigado a demitir-se e tudo porque não quis desvendar ele próprio o maior segredo da sua vida; ele próprio é negro.
Ao contrário de filmes como o ‘Jogo de Lágrimas’, ‘ Sexto Sentido’ ou ‘The Others’, estar aqui a divulgar este segredo não é muito relevante. Mais importante que ele é a forma como esta omissão alterou constantemente a sua vida, numa América fustigada por um passado tremendamente racista.
O mundo pensa que Silk (Anthony Hopkins) é judeu. Foi assim que ele cresceu como respeitado professor e construiu uma vida inteira.
Iria ele mostrar ao mundo inteiro o seu segredo para se defender neste caso? Não. Sem emprego e sem mulher (que morre logo após o despedimento deste), Silk começa a vaguear um pouco, pensando na sua vida e no que poderia ser diferente.
Conhece então Nathan Zuckerman (Gary Sinise), um escritor ‘bloqueado’ a quem decide contar a sua história.
O filme começa então a deambular entre os factos passados- onde nos mostra desde bem cedo o crescimento da personagem de Silk e as razões do nascimento de tal mentira- e um presente que apresenta Nicole Kidman como objecto do desejo de Hopkins e fonte de rejuveniscimento.
Tudo isto é narrado por Sinise com a mestria habitual que este actor sempre nos presenteia.
Para enriquecer mais ainda o casting temos Ed Harris, o obsessivo ex-marido de Kidman, que curiosamente é uma peça fulcral no desenvolvimento final da película. Todo o elenco está muito bem escolhido mas uma das grandes questões que certamente estarão a pensar é… como é que Antonhy Hopkins passa por negro?
A minha resposta é simples. Há um negro que passa por racista branco num comboio (numa das cenas do filme) e nós nem distinguimos.
Para ajudar, o grande actor que Anthony Hopkins é dissipa logo essa questão. Mas apesar do filme levantar tantas surpresas, duvidas e questões, estas são por nossa sugestão.
O desenrolar dos eventos é pouco atraente e apesar de parecer estarmos perante uma obra única, isso não acontece.
Muitas das formas de apresentar os factos são pouco apelativas e caímos muitas vezes numa magnitude de interpretações que não consegue, de todo esconder, alguma falta de interesse no que vai ocorrendo.
A figura do escritor ‘bloqueado’ que encontra na história de Silk a sua inspiração também está, cine mat ográficamente, gasta. O final atípico salva um pouco as coisas mas o longo processo de ‘contar’ a vida de Silk (passada e actual), que em teoria deveria ser entusiasmante, acaba por ser fastidioso.
De qualquer maneira merece uma olhadela…e já agora leiam o livro de Philip Roth . 6/10 Jorge C. Pereira

