‘Nathalie’

(Fotos: Divulgação)

Sinopse

Uma prostituta de luxo alia-se a um cliente pouco caricato.

Elenco

Emmanuelle Béart, Fanny Ardant, Gérard Depardieu

Realizado por Anne Fontaine

Critica

Catherine (Fanny Ardant) é uma ginecologista na casa dos 40 anos com um casamento estável. Certo dia, descobre casualmente, ao ouvir uma mensagem do voice mail de Bernard, seu marido, (Gérard Depardieu), que este a anda a trair. Após uma honesta admissão da infidelidade por parte deste, Catherine sente-se confusa e resolve contratar uma prostituta (a belíssima Emmanuelle Béart) que assumindo a identidade de Nathalie se vai encontrar com o marido de Catherine e relatar a esta, com todo o detalhe, os encontros sexuais dos dois.

Estas são as premissas do último filme da luxemburguesa Anne Fontaine. Um filme erótico sem uma única cena de sexo e onde o verbo e a descrição preenchem o ecrã na íntegra.

À boa maneira francesa esta é uma obra sobretudo sobre seres humanos. Seres humanos estes que ora se apaixonam ora se afastam. Criando entre eles uma distância difícil de explicar por gestos e acima de tudo irresolúvel através das palavras. Talvez por isso Catherine não consiga falar com o seu marido sobre a relação dos dois e se refugie a encontrar uma terceira pessoa, que embora perpetue a infidelidade do marido, os aproxima. Talvez também por isso, quando Nathalie está com Bernard nós nunca o vemos. E quando Bernard está com a mulher “nenhum esteja lá”. E é assim que Catherine vai reconquistar a intimidade com o seu marido. É por uma terceira pessoa que vai conhecê-lo melhor, saber como reage e o que o excita, preenchendo desta forma o vazio entre os dois.

E se Bernard é honesto e sereno nas suas faltas, Catherine vive um misto de desespero, retraimento da pulsão sexual. Quando procura a prostituta Nathalie, a utilização dos seus serviços, como uma verdadeira “cliente” (ao contrário do marido) é uma forma de terapia pessoal, mesmo que esta se venha a revelar um verdadeiro efeito placebo. A ideia é bem explorada embora por vezes se perca um pouco em clichets de algum cinema francês designadamente um certo intelectualismo amoroso. Os diálogos são inteligentes e a complexidade dos personagens cativante. No final, são os actores que retemos na memória: Ardant transmitindo insegurança e desejo reprimido, Béart com um notável sentido de linguagem corporal e Depardieu genuíno e honesto. E se este nos surge pela primeira vez de costas como que a esconder algo, ao longo do filme vai-se despojando de segundas intenções, embora nem sempre assim o pareça.
Destaque para a suave banda sonora elaborada por Michael Nyman.

O final, além do twist, mais que previsível, é de veludo. A última cena deixa-nos a acreditar na mudança dos destinos de Catherine e Bernard, mas sem certezas. 6/10 Carlos Natálio

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