
Sinopse
Uma prostituta de luxo alia-se a um cliente pouco caricato.
Elenco
Emmanuelle Béart, Fanny Ardant, Gérard Depardieu
Realizado por Anne Fontaine
Critica
Estas são as premissas do último filme da luxemburguesa Anne Fontaine. Um filme erótico sem uma única cena de sexo e onde o verbo e a descrição preenchem o ecrã na íntegra.
À boa maneira francesa esta é uma obra sobretudo sobre seres humanos. Seres humanos estes que ora se apaixonam ora se afastam. Criando entre eles uma distância difícil de explicar por gestos e acima de tudo irresolúvel através das palavras. Talvez por isso Catherine não consiga falar com o seu marido sobre a relação dos dois e se refugie a encontrar uma terceira pessoa, que embora perpetue a infidelidade do marido, os aproxima. Talvez também por isso, quando Nathalie está com Bernard nós nunca o vemos. E quando Bernard está com a mulher “nenhum esteja lá”. E é assim que Catherine vai reconquistar a intimidade com o seu marido. É por uma terceira pessoa que vai conhecê-lo melhor, saber como reage e o que o excita, preenchendo desta forma o vazio entre os dois.
E se Bernard é honesto e sereno nas suas faltas, Catherine vive um misto de desespero, retraimento da pulsão sexual. Quando procura a prostituta Nathalie, a utilização dos seus serviços, como uma verdadeira “cliente” (ao contrário do marido) é uma forma de terapia pessoal, mesmo que esta se venha a revelar um verdadeiro efeito placebo. A ideia é bem explorada embora por vezes se perca um pouco em clichets de algum cinema francês designadamente um certo intelectualismo amoroso. Os diálogos são inteligentes e a complexidade dos personagens cativante. No final, são os actores que retemos na memória: Ardant transmitindo insegurança e desejo reprimido, Béart com um notável sentido de linguagem corporal e Depardieu genuíno e honesto. E se este nos surge pela primeira vez de costas como que a esconder algo, ao longo do filme vai-se despojando de segundas intenções, embora nem sempre assim o pareça.
Destaque para a suave banda sonora elaborada por Michael Nyman.
O final, além do twist, mais que previsível, é de veludo. A última cena deixa-nos a acreditar na mudança dos destinos de Catherine e Bernard, mas sem certezas. 6/10 Carlos Natálio

