“The Station Agent” por Nuno Centeio

(Fotos: Divulgação)
 
 
Sinopse

Escrito e realizado por Tom McCarthy, o filme narra a história de um trio que descobre que a solidão é melhor ultrapassada em conjunto.

Elenco

Peter Dinklage, Patricia Clarkson, Bobby Cannavale, Michelle Williams e Raven Goodwin,

Realizado por Tom McCarthy

Site Oficial

Crítica

O actor Thomas McCarthy tem neste “The Station Agent – A Estação”, a sua estreia como realizador. E que estreia! Peter Dinklage interpreta um adulto anão, fanático por comboios, que de um momento para o outro perde o seu melhor amigo (Paul Benjamin), com quem trabalhava numa loja de miniaturas e brinquedos da sua paixão de locomotivas e caminhos-de-ferro. De repente, Finbar (o nome do personagem de Dinklage) vê-se sozinho, herdeiro de uma pequena propriedade que o seu amigo lhe deixou. Um apeadeiro abandonado, junto a uma linha ferroviária. O sonho de qualquer adorador de comboios. É para lá que Finbar parte, para se isolar de um mundo que o vê, naturalmente, como uma pessoa diferente por ser um anão. Na sua nova morada, Finbar descobre duas pessoas que sofrem igualmente de outros problemas, acabando por criar um círculo de amizade que se interliga pela necessidade que cada um tem de se apoiar nos outros. Patricia Clarkson (podem vê-la actualmente na série “Sete Palmos de Terra”) é uma mulher amargurada com a morte do seu filho há dois anos, e que fugiu às memórias dolorosas para se instalar na casa de férias que mantinha com o seu ex-marido. Bobby Cannavale é um trintão de origem cubana, tagarela, que gere a carrinha de comes e bebes do pai enquanto este está gravemente doente em casa.

“A Estação” é um filme sobre relações, sobre os problemas do dia-a-dia, onde o trio de personagens central seria aparentemente inverosímil no seu relacionamento cada vez mais profundo. E é precisamente neste aspecto que McCarthy (também argumentista) consegue mostrar os seus dotes escrevendo diálogos simples, fechados, mas que nos absorvem para uma realidade dura, comovente, e muitas vezes irónica e divertida.

Peter Dinklage é o primeiro actor anão que conheço a quem foi concedido um papel principal numa longa-metragem. Se não fosse pelas irritantes observações do mundo exterior, depressa nos esqueceríamos desse pormenor. A sua interpretação, contida e sóbria (até porque o seu Finbar é um homem pouco falador), é das melhores entre produções do ano transacto a que pude assistir. Patricia Clarkson segue um padrão muito parecido com o que lhe conhecemos de outros personagens, com a sua habitual rebeldia e natureza inconstante, deliciosamente anormal numa mulher com a sua idade. E Bobby Cannavale… bem… Cannavale é o motor da narrativa, o tagarela, como já referi. Sem o seu personagem, muito dificilmente existiria uma amizade entre todos.

“The Station Agent” foi filmado em 20 dias, com um micro-orçamento de 500 mil dólares. Há filmes portugueses com o dobro (ou mais) deste “budget”. E no entanto, está aqui uma bela história, simples, que ganhou prémios um pouco por todo o lado, e que não merece ser esquecida pelo espectador. Os que gostam de comboios e os outros. 8/10 Nuno Centeio

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