Federica é rica, muito rica. Este privilégio impede-a de lidar com a vida diária como um adulto. O seu namorado está pronto para começar uma família, quando o amante anterior aparece inesperadamente.
A sua família é normalmente desligada da vida real. O relacionamento entre membros é desestabilizado pela morte do pai.
Oprimida pela aproximação da herança, pelos seus relacionamentos com as pessoas ao seu redor e pelo peso assombroso da culpa, Federica procura conforto no imaginário. Sonhos onde a realidade se torna perfeita e maravilhosa…
Elenco
Valeria Bruni Tedeschi, Chiara Mastroianni, Jean-Hugues Anglade, Denis Podalydès, Lambert Wilson, Roberto Herlitzka
Realizado por Valeria Bruni Tedeschi
Site Oficial
Crítica
Valeria Bruni-Tedeschi é actriz há 17 anos. Esta francesa, nascida em Itália e permanentemente dividida entre os dois países, começou a sua carreira em 1986 com o realizador Patrice Chéreau, no filme “Hotel de France”. Para os mais curiosos nestes fait-divers, acrescento que a senhora é irmã da ex-top model Carla Bruni, agora convertida à música com um CD assombroso ainda sem edição no nosso país. Servem estes dados para referir que estamos a falar de uma família com dotes artísticos provados. Por isso não é surpresa que Valeria não se tenha ficado pela interpretação, progredindo com cautela no mundo da realização e dos argumentos (escreveu em conjunto com Mimmo Calopresti a história de “La Parola amore esiste”).
Crítica
Recheado de dezenas de pequenos sketches, ‘ É mais fácil um camelo’ é uma frustrante primeira obra da actriz Valeria Bruni-Tedeschi.
Desinteressante, mal montado e extremamente rico em filosofias de palavras soltas, o filme cai constantemente num vazio narrativo como se se tratasse de uma colecção de peças de um puzzle, todas no sítio errado.
É curioso perceber que este filme foi galardoando em Tribeca como a ‘Melhor Primeira Obra’. Este prémio remete-me para o filme de Woody Allen ‘Hollywood Ending’ em que se satirizava os festivais europeus e o seu público por apreciar a obra maldita de Allen cego.
É mais fácil um camelo’ é provavelmente a melhor resposta europeia a esse filme e ao prémio que ele conquistou nos EUA. Tentar passar mensagens como ‘os ricos não são felizes’, ‘por vezes até podiam ser pobres’, ‘a sua vida é oca’ são o pão nosso de cada dia na cinematografia mundial.
O problema é que Tedeschi procurou mostrar isso de forma pretensiosa e quando as fracas personagens não conseguiram transmitir esse sentimento nas suas performances só houve uma coisa a fazer: tornar isso visível em diálogos directos e descrições de fortuna e estilos de vida no mínimo vulgares e ‘clichéticas’.
Pelo meio temos a actriz Valeria Bruni-Tedeschi, que cumpre muito bem o papel de mulher deslocada do mundo e sem qualquer rumo.
Um filme fraco e que sinceramente deverá ser lembrado pela actriz, agora realizadora, como forma de escapar a erros (futuros) demasiado primários na procura do ‘artístico’…
A evitar…
2/10 Jorge C. Pereira

