‘Femme Fatale’

(Fotos: Divulgação)

Sinopse

Um mulher tenta recuperar a sua vida e dar-lhe um novo rumo, mesmo que o seu passado de ex-condenada a persiga.

Elenco

Rebecca Romijn-Stamos, Antonio Banderas, Peter Coyote, Eriq Ebouaney, Edouard Montoute

Realizado por Brian De Palma

Site Oficial
Trailer

Crítica

Este é um daqueles filmes do qual não se espera nada e que acaba por surpreender pela positiva. Inicialmente pensa-se que se vai assistir a algo tipo “Missão Impossível”: técnicas de roubo extremamente sofisticadas, traições e perigos. Mas depois apercebemo-nos de que é algo mais que isso. Rapidamente o filme evolui para uma mistura de “Instinto Fatal” e “Dormindo com o Inimigo” , aludindo posteriormente “Mulholand Drive”. É um filme que mistura acção, traição, amor, ódio, sensualidade e que provoca grande confusão no espectador.

A história não é nada de outro mundo. O argumento é fraco, já que o filme prima sobretudo pelas impressões visuais, pela imagem, pelos movimentos em câmara lenta, pela rápida passagem de planos. Diálogos há muito poucos, e os que há são do mais básico possível. Assim, o grande trunfo é mesmo a visualidade, a alternância de planos e, sobretudo, a repetição de situações. É também explorada ao máximo a sensualidade e as relações amor-ódio. O elenco não é excepcional. Antonio Banderas está mediano durante todo o filme, excepto na cena em que finge ser “gay”. Rebecca Romijn-Stamos surpreende. Está bastante bem no papel de mulher cruel, fria e calculista, que não olha a meios para atingir os fins. Embora inicialmente pouco expressiva, a personagem e a sua interpretação vão crescendo e intensificando ao longo do filme. Torna-se mesmo odiosa. As restantes personagens não sobressaem excepcionalmente. É estranho ver duas pessoas em França, sendo, supostamente, francesas, a falar em americano com sotaque francês. Certas coincidências podem tornar algumas cenas um pouco forçadas, mas é nestas coincidências que se apoia toda a história.

Supostamente dever-se-ia apostar na banda sonora; embora esta seja interessante, não chega para suportar a falta de diálogos e a grande visualidade, embora existam momentos fantásticos de imagem associada ao som.

Seria um filme reduzido a boa visualidade e alguns detalhes interessantes (a cena final, simplesmente fantástica, muito rica em detalhes, por exemplo), se não fosse um inesperado final twist. Quando pensamos que o filme está no fim e que a história acaba como deve acabar, tirando algumas injustiças, tudo dá uma reviravolta total que nos deixa sem respiração. É o inesperado que nos faz retomar o fôlego e ver a película com outros olhos. Um filme que até aos últimos 20 minutos era para ver e depois esquecer, torna-se algo que tem de se pensar e assimilar com calma, para poder entender. Brian de Palma apanha-nos completamente desprevenidos, satisfeitos até e prontos a sair da sala, para depois nos obrigar a reflectir melhor, a ver tudo com outros olhos, a repensar pormenores, a reviver certas cenas. Um brilhante trunfo guardado e absolutamente inesperado. 7/10

Cátia Simões

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