Ararat segue a vida de uma família Arménia e das dificuldades que encontram num jogo de negação de passado e presente catastrófico. Ararat foca “uma chacina” que ocorreu entre turcos e arménios e que mudou o relacionamento entre estes. Como prolongamento desse passado, o presente desta família é abalado e o futuro comprometido.
Elenco
DAVID ALPAY, CHARLES AZNAVOUR, ERIC BOGOSIAN, BRENT CARVER, MARIE-JOSÉE CROZE, BRUCE GREENWOOD, ARSINÉE KHANJIAN, CHRISTOPHER PLUMMER
Realizado por ATOM EGOYAN
Crítica
Ararat conta a história de várias personagens que directa, ou indirectamente estão ligados uns aos outros.
De um lado temos uma professora de História que intensamente procura respostas para um famoso quadro de Gorky. O filho e enteada desta mantém uma relação amorosa. A enteada acusa a madrasta de ser a responsável pela morte do pai (2º marido dela).Paralelamente temos um casal de homossexuais. O pai de um deles, não aceita muito bem a situação.
Num terceiro plano temos um realizador que decide contar a história do genocídio arménio a mando dos turcos.
Todas estas personagens se vão interligar e todas elas serão afectadas pelos resultados da exposição de memórias recalcadas.
Há ainda algumas dúvidas se existiu ou não o genocídio dos arménios por parte dos turcos. A Turquia, naturalmente, nega tudo, mas todo o restante mundo parece acreditar que houve mesmo um holocausto arménio.
É curioso como poucos, ou nenhuns filmes foram produzidos sobre esta matéria. Em oposto, o holocausto judeu tem filmes que nunca mais acabam.
Mas mais que um filme sobre o genocídio arménio, Ararat é um filme sobre a memória deste nas pessoas que o ainda lembram nos tempos que correm. É muito interessante o aproveitamento do filme dentro do filme que Egoyan aplica em Ararat. Em vez de recorrer às normais visitas ao passado sempre aplicadas neste género de filmes, ele aplica uma versão moderna e cinematográfica do que terá sucedido.
Ao mesmo tempo que apresenta os factos, Egoyan mostra também que estes podem não estar completamente correctos, introduzindo uma historiadora que vai apontando alguns detalhes que podem estar errados no filme dentro de Ararat.
Brilhantes interpretações (Elias Koteas e Christopher Plummer estão excepcionais), e momentos memoráveis- no qual destaco alguns diálogos entre algumas personagens como Raffi/Alpay e Ali/Koteas) dão a este filme um caracter de longe do épico mas perto do coração…e no fundo, o massacre dos arménios e a vida de Gorky funcionam como uma grande metáfora das relações dos tempos de hoje, dos objectivos e da busca da verdade.
Um filme a ver… 8/10 Jorge C. Pereira

