Criticas do IndieLisboa: ’10 To 11′ por João Miranda

(Fotos: Divulgação)

Mithat é um habitante de Istambul já idoso que tenta, num esforço de controlar o tempo e de catalogar a sua vida, manter uma série de colecções, desde relógios que não se atrasam, uma série de jornais diários, a gravações com entrevistas e momentos importantes da sua vida. Após um tremor de terra, e com um problema de infiltrações, Mithat vê-se dividido entre o encaixotar as suas colecções, que são consideradas um risco para o prédio, e a tarefa de continuar a obter os vários itens diários. Focando-se na primeira tarefa, pede a Ali, o porteiro do prédio, vindo de uma terra pequena e que raramente ou nunca sai do prédio, que se concentre na segunda. Ali aprende a manobrar dentro de Istambul e começa a procurar alternativas para a sua vida, enquanto Mithat se fixa mais, chegando a prejudicar a sua saúde pelas suas colecções.

É um filme com algum interesse, mas seria de esperar que a interacção entre as duas personagens fosse mais rica. Tal como está, Ali limita-se a aprender pelo efectuar das tarefas, mas não com a experiência de Mithat que, pelas entrevistas parciais que se ouvem, se percebe um homem vivido e culto. Fica um retrato da luta impossível contra o tempo, o esquecimento e a indiferença de todos os outros, na personagem de Mithat.

A Base: Um retrato da luta impossível contra o tempo, o esquecimento e a indiferença de todos os outros…6/10


O Melhor:
A personagem de Mithat.
O Pior: A relação entre as personagens principais podia ser mais profunda.

João Miranda

Últimas