«No One Knows About Persian Cats» (Gatos Persas) por Jorge Pereira

(Fotos: Divulgação)
 
Recém-saídos da prisão, Negar e Ashkan são dois jovens músicos, um homem e uma mulher, que decidem formar uma banda. Juntos, eles andam pelo submundo de Teerão à procura de membros para o grupo, tendo a ajuda de Nader, uma espécie de produtor, distribuidor, «faz tudo». Proibidos pelas autoridades de tocarem no Irão, eles planeiam escapar para Londres. Para isso, eles vão precisar de passaportes, e vistos, já que sair do Irão não é fácil.
Realizado por Bahman Ghobadi, que em 2004 nos apresentou «Sempre se pode voar» (Turtles Can Fly), «Gatos Persas»  é um trabalho quase em jeito documental e musical sobre as restrições que a juventude iraniana tem às ideias mais ocidentais. Aliás, o título do filme, é uma referência à lei iraniana que proíbe gatos e cães de vaguarem nas ruas (mesmo acompanhados com os donos). Assim, e tal como os gatos persas, estes jovens têm de se manter escondidos enquanto ensaiam, usando caves, telhados, celeiros e até os espaços por baixo das pontes e viadutos.
{xtypo_quote_right}Esta é uma obra muito curiosa, que apesar de dar uma imagem retrógrada da política iraniana, apresenta uma sociedade muito mais evoluída do que aquilo que se pensa{/xtypo_quote_right}Esta é uma obra muito curiosa, que apesar de dar uma imagem retrógrada da política iraniana, apresenta uma sociedade muito mais evoluída do que aquilo que se pensa, e do que o é – até em termos da chamada liberdade, muito superior aos parâmetros da Arábia Saudita. Festas underground de electro? Bandas de Heavy Metal? Cantores de Rap? Música indie neste país? Tudo parece existir nas sombras, dando a sensação de uma pátria com vários degraus políticos, sociais e culturais, numa dicotomia ideológica extrema, claramente responsável pelos conflitos recentes após as eleições.
Por estas razões, «Gatos Persas» é um filme importante em termos de conhecimento da realidade fora do nosso hemisfério social e absolutamente imperdível para os fãs de música indie.
O Melhor: Hamed Behdad como Nader é excepcional. As suas falas e os seus jeitos levaram-me às lágrimas de tanto rir (especialmente na sequência em que ele é detido).
O Pior: Dramaticamente, o final é forçado
 
 Jorge Pereira

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