Sob a capa de fazer uma crítica directa à Opus Dei, Javier Fesser apresenta “Camino”, o filme que foi grande vencedor dos Prémios Goya (Óscares Espanhóis), em 2009. Baseado na história verídica de uma menina que morreu em 1985, e que agora está em processo de beatificação, o filme acompanha Camino, uma jovem que vive numa família muito ligada à religião, e nomeadamente à Opus Dei. (obra de Deus).
Quando lhe é diagnosticada uma grave doença, Camino começa a ser “usada” como propaganda religiosa sobretudo pelos padres da “Obra”, e até pela própria mãe, uma mulher cega perante os ensinamentos da Opus Dei.
Por isso, não é fácil classificar um filme como “Camino”. Por um lado, tecnicamente o filme cumpre todos os seus requisitos. Por outro, em termos de argumento e história, torna-se no mínimo complicado ganhar empatia pelo filme, ou pelas personagens, quando todas as pessoas parecem estar febris cada vez que abrem a boca.
No entanto, e de entre o lote de actores destaque para Carme Elías, uma actriz que tem a competência suficiente para fazer com que Glória, mesmo sendo a mãe de uma criança às portas da morte, seja um ser odiável.
Com alfinetadas leves, e sobretudo sem um fio condutor que nos leve a entender as reais motivações de Fesser ao fazer esta obra, “Camino” é um filme sofredor e sofrível, que nada mais faz do que massacrar os seus protagonistas, e eles ainda agradecem. E pior, faz com que o drama da pobre jovem seja mais desagradável que comovente.
O Melhor: Camino, nos seus All Star Encarnados.
O Pior: Fesser poderia ter sido mais light no drama, e mais incisivo na crítica.
A Base: Não é fácil classificar um filme como “Camino”. Por um lado, tecnicamente o filme cumpre todos os seus requisitos. Por outro, em termos de argumento e história, torna-se no mínimo complicado ganhar empatia pelo filme, ou pelas personagens, quando todas as pessoas parecem estar febris cada vez que abrem a boca… 5/10
Carla Calheiros

