‘Morning Glory’ (Manhãs Gloriosas) por Jorge Pereira

(Fotos: Divulgação)
Dedicada é o mínimo que se pode dizer de Becky Fuller (Rachel McAdams), uma produtora de televisão completamente apaixonada pela sua profissão e que relega tudo o resto para segundo plano.
 
Quando estranhamente ela é demitida do seu programa de informação regional, a sua carreira começa a parecer tão sombria como a sua vida amorosa. Mas quando se fecha uma porta, outra se abre, e neste caso ela vai trabalhar no “Daybreak”, o programa matinal com a menor audiência, a nível nacional. Repleto de vedetismo e muito desorganizado, o programa precisa claramente de um líder. Mas será Becky capaz de mudar o que tantos outros produtores não conseguiram?
 
“Morning Glory” (Manhãs Gloriosas) começa como uma comédia assumida, sendo particularmente entusiasmante ver a paixão que Rachel McAdams coloca na sua personagem, e esta na sua profissão. E durante grande parte do filme é ela que nos prende, que nos faz rir e rendermo-nos à história, mesmo quando esta começa a ganhar uma outra dimensão de romance.
 
É nas picardias na estação de TV que surgem os melhores momentos, mesmo sendo as personagens reflexos estereotipados do mundo da TV, ou até meras caricaturas. A apresentadora do programa, Colleen Peck (Diane Keaton), é uma ex-rainha da moda desgastada e passiva no fraco destino das audiências. Para ela, Becky é apenas mais uma, num programa já conhecido por ser o cemitério dos produtores. Já Mike Pomeroy (Harrison Ford) é uma importante figura do mundo do jornalismo, entretanto demitido/rebaixado e que tem de aceder às pretensões de Becky senão viola o seu contrato. Para além de ser um snob arrogante, numa espécie de Dr. House sem a genialidade, Pomeroy faz aquilo que bem lhe apetece, deixando Becky com diversos problemas com a administração, especialmente quando esta quer cancelar o programa.
 
Pelo meio há ainda um grande número de personagens, todas bastante secundárias, e sem grande impacto na história, com excepção de Adam Bennet ( Patrick Wilson), o interesse amoroso de Becky.
 
E assim o filme segue numa curva descendente de interesse à medida que caminhamos para o seu fim previsível. O que tinha começado como uma comédia curiosa sobre os bastidores na TV transforma-se numa frustrante lição de moral com os sentimentos à flor da pele, o que trai o que surgia anteriormente e que nos fez interessar pela fita à partida.
 
De qualquer maneira, e só por Rachel McAdams, e a sua apaixonante Becky Fuller, o filme merece uma olhadela, sendo certas algumas risadas, antes do descalabro final.
O Melhor: Rachel McAdams
O Pior: O fim é apressado, previsível e derradeiramente meloso
A Base: O filme segue numa curva descendente de interesse à medida que caminhamos para o seu fim previsível. O que tinha começado como uma comédia curiosa sobre os bastidores na TV transforma-se numa frustrante lição de moral com os sentimentos à flor da pele…6/10
 
Jorge Pereira 

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