“Adolescentes alienígenas tentam adaptar-se à escola na Terra depois do planeta onde viviam ter sido destruído por uma espécie inimiga. No entanto, rapidamente descobrem que estão a ser perseguidos na Terra pela mesma espécie que destruiu o planeta de onde vieram.” Esta é a sinopse que a Zon Lusomundo nos fornece do último trabalho D.J. Caruso, um cineasta mais ligado à TV, mas que desde 2005 desenvolveu mais projectos para o cinema. E se olharmos para o curriculum deste senhor, verificamos uma série de filmes mal amados, ainda que alguns deles tenham tido bons resultados no box-office. “Taking Lives” e “Eagle Eye” estão muito mal aproveitados, sobrevivendo “Disturbia” porque Shia LaBeouf lhe conseguiu transmitir algum carisma que trazia de “Battle of Shaker Heights”.
“I am Number Four” (Sou o número quatro), construído a partir da obra literária de Pittacus Lore (pseudónimo para James Frey e Jobie Hughes) está na linha dos projectos subaproveitados, tendo uma história interessante por contar, mas sendo conduzida de uma maneira tão derivativa que perdemos a conta às suas inspirações. “Twilight’ também está metido ao barulho, muito por ter transformado o verdadeiro amor no novo ouro negro para explorar pelo cinema de Hollywood – que praticamente repesca o espírito negro dos amores de Shakspeare, dando-lhe uma lavagem pós MTV.
O que também não facilita é a forma como esta obra cai por diversas vezes no estilo televisivo, sendo várias as vezes que dei por mim a sentir-me em “Smallville”, “Supernatural” ou produtos menores do canal Syfy.
Assim assistimos a um John Smith (Alex Pettyfer) que, em vez de encontrar um novo mundo em Pocahontas, encontra-o em Sarah Hart (Dianna Agron), o que vai criar atritos com outras personagens – quer em casa, quer na escola. Não há muito de novo nesta parte liceal da história, não faltando as típicas oposições supérfluas entre geeks e jocks. Pelo caminho há a descoberta dos poderes sobre-humanos que o nosso herói possui, quase que num estilo “X-Men” mais pobre e limitado (ainda que alguns poderes, como as luzes nas mãos, darem imenso jeito para diversas actividades, como o campismo ou se chegarem tarde ao cinema).
Os vilões que perseguem este John Smith, também são pouco cativantes, notando-se claramente a ausência de um líder credível que nos colocasse de sentinela desde o inicio do filme. Aliado a isto, a previsibilidade de todo o enredo coloca o filme no limbo do produto para agradar a adolescentes, e apenas só a estes. Uma nota também negativa para todo o elenco, que cumpre, mas prova que nenhum dos papéis é suficientemente marcante para nos lembrarmos da sua participação na obra.
Assim, e cenas de acção mais frenéticas à parte, que não sendo inovadoras lá nos vão entretendo, “Eu sou o número quatro” acaba por ser mais um produto pipoca dos cinemas nacionais, que chega a meter dó, dado o potencial que a história tinha.
Dispensável…
O Melhor: Algumas sequências de acção
O Pior: Falta de carisma dos actores e um enredo muito derivativo e pouco consistente
A Base: A previsibilidade de todo o enredo coloca o filme no limbo do produto para agradar a adolescentes, e apenas só estes… 4/10
Jorge Pereira

