Claustrofóbico é o mínimo que se podia dizer deste “Buried” de Rodrigo Cortés, não fosse ele todo desenrolado num caixão, bem enterrado algures no Iraque.

No centro da acção, se é que podemos chamar “acção”, está Paul Conroy (Ryan Reynolds), o condutor de uma empresa americana que é feito refém desta maneira, e que tem muito pouco tempo para convencer o governo americano a negociar a sua libertação.

Mas como pode ser um filme passado num espaço como um caixão um poço de intriga e de tensão? Perguntem a Joel Shumacher. Ele conseguiu o mesmo numa cabine telefónica em 2002. Ou então a Vincenzo Natali (Cubo), James Wan (Saw) e até Stephen Manuel (Iron Doors).

É que a Paul foi deixado um isqueiro, algumas luzes, um telemóvel e mais uns artigos, tudo o que é necessário para sobreviver umas horas e conseguir contactar alguém da embaixada americana ou militares. À medida que o tempo passa, Paul vai mostrando um pouco mais da sua vida, recordando também aos poucos todo o processo que o levou até ali.

Num misto do primeiro “Saw” com “Phone Booth”, em pleno solo iraquiano, “Buried” é uma boa reciclagem do género, e um filme capaz de nos prender do primeiro ao último minuto, sempre nos mantendo com o nível de adrenalina muito alta, na expectativa do salvamento.

Destaque naturalmente para Ryan Reynolds, peça fulcral em criar uma empatia do espectador com a sua personagem, e que por vezes nos transporta mesmo para dentro daquele espaço minúsculo.E depois há alguns detalhes fantásticos, como o sistema burocrático inerente a este mundo, a política americana de não negociar com terroristas, e insurgentes cientes das novas tecnologias como forma de lutarem pelos seus intentos. 

Filmado durante 17 dias, e estreado em Sundance, “Buried” é uma boa prova que o minimalismo de cenários, quando se tem um guião interessante, não afecta de todo o filme. Aliás, o espaço em si, funciona como uma personagem aterrorizante, como as divisões de “Cube”.