‘Scott Pilgrim Vs The World’ por Jorge Pereira

(Fotos: Divulgação)

Se “Sin City” era uma novela gráfica migrada na perfeição para o cinema, “Scott Pilgrim Vs The World” é a experiência cinematográfica mais próxima de um videojogo que alguma vez viram. E o curioso disto é que ele próprio é uma adaptação ao cinema de uma banda-desenhada, em que um jovem baixista de uma banda de garagem (Sex Bob-omb), Scott Pilgrim (Michael Cera), terá de lutar pela sobrevivência e derrotar as sete antigas paixões da sua nova namorada, Ramona (Mary Elizabeth Winstead).

De skaters, a estrelas do rock vegetarianas, passando por produtores e vedetas do cinema, Pilgrim terá de lutar até à sua exaustão, sempre de uma forma altamente estilizada como se de um jogo de computador se tratasse, com vários níveis, energia e vidas extra.

E se na primeira hora da fita tudo isto parece um mundo novo para todos nós, a partir de certa altura tudo se torna redundante e repetitivo, quer as cenas de luta, quer a passagem para outro “nível” ou namorado.

Realizado por Edgar Wright, que já nos trouxe obras como “Shaun of The Dead” e “Hott Fuzz”, o filme volta a ter o sentimento geek de “Napolean Dynamite”, ainda que movido a esteróides, como se a personagem criada por Jared Ess tivesse vida amorosa e resolvesse as questões da sua existência dentro de um jogo de computador. Aliás, não é à toa que ouvimos muitos sons  e referências a jogos como “Tekken”, “Super Mario”, “Sonic”, “Mortal Kombat” e “The Legend of Zelda” durante a fita.

A liderar a personagem de Pilgrim temos Michael Cera, que a par de Jesse Eisenberg, são os ídolos perfeitos do mundo geek do cinema independente. Secundado por boas presenças, como Winstead,  Anna Kendrick, Chris Evans e Jason Schwartzman, o filme acaba por ser uma interessante demonstração da versatilidade de Wright, capaz de atrair muitos fãs da geração nintendo e do mundo dos videojogos e banda-desenhada, mas indo longe demais e cansando o espectador – que chega ao fim exausto como as personagens. O problema é que nós não temos energia extra, nem vidas a mais para gastar.

Para ajudar a esse cansaço, as personagens não tem assim tantas dimensões que nos façam interessar muito por elas.

Uma ultima nota de destaque para a direcção artística, fotografia e montagem. Aqui reside a essência do filme, e as suas maiores capacidades de nos atrair. E com isso fica a grande base do filme. Há muitos vilões que os geeks e nerds tem de derrotar ao longo da vida para sobreviverem num mundo em que a cultura pop e as aparências comandam tudo.

O Melhor: O início e a introdução do mundo de Scott Pilgrim
O Pior: A caminho do fim tudo se torna redundante e cansativo

A Base: Capaz de atrair muitos fãs da geração nintendo e do mundo dos videojogos e banda-desenhada, a fita vai longe demais e cansa o espectador, que chega ao fim exausto como as personagens. O problema é que nós não temos energia extra, nem vidas a mais para gastar…6/10

 

Jorge Pereira
 
‘Scott Pilgrim vs the World’ por José Pedro Lopes 

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