Abbas Kiarostami é um dos realizadores mais importante da actualidade e novamente mostra porquê: ele, iraniano, à frente de uma produção multinacional, com uma actriz francesa e um actor inglês, e o resultado é um fluir de uma história universal, com uma estética e uma técnica exemplares, que salta entre as línguas faladas com a mesma aparente facilidade que demonstra a fragilidade da nossa realidade humana. Os planos longos e o diálogo dito com a naturalidade de uma conversa improvisada (lembra ‘Before Sunrise’ e ‘Before Sunset’ de Richard Linklater nesse aspecto) contribuem para a autenticidade do filme, um elemento mais nas questões base do filme, e definem uma alternativa aos valores pré-digeridos da maioria dos filmes comerciais.
A representação de Juliette Binoche, digna de prémios, é marcante, consegue ser emocional sem chegar a extremos e mantém, quase sozinha, todo o filme. Ao seu lado, William Shimell acaba por passar quase despercebido, quase que dando apenas o tom às cenas que Binoche representa.
O Melhor: Juliette Binoche.
O Pior: Pode custar a adaptar à constante mudança de língua, felizmente as legendas mantêm-se sempre em português.

