‘Copie Conforme’ por João Miranda

(Fotos: Divulgação)

Pode uma cópia ser melhor que o original? Pode a representação e a repetição de actos e vivências ser o mesmo ou mais rico que o genuíno? Estas são as perguntas que guiam o novo filme de Abbas Kiarostami, “Copie Conforme”. Nele vemos o relacionamento entre um escritor, interessado neste tema, e uma sua admiradora, que se vai transformando, desafiando os preconceitos e pressuposições dos espectadores: será que já se conheciam? Serão casados? O jogo vai-se desenrolando até ao ponto em que ultrapassa a dúvida e só o amor e a vida, com todas as suas incongruências, são visíveis e se reflectem em cada um dos espectadores.

Abbas Kiarostami é um dos realizadores mais importante da actualidade e novamente mostra porquê: ele, iraniano, à frente de uma produção multinacional, com uma actriz francesa e um actor inglês, e o resultado é um fluir de uma história universal, com uma estética e uma técnica exemplares, que salta entre as línguas faladas com a mesma aparente facilidade que demonstra a fragilidade da nossa realidade humana. Os planos longos e o diálogo dito com a naturalidade de uma conversa improvisada (lembra ‘Before Sunrise’ e ‘Before Sunset’ de Richard Linklater nesse aspecto) contribuem para a autenticidade do filme, um elemento mais nas questões base do filme, e definem uma alternativa aos valores pré-digeridos da maioria dos filmes comerciais.

A representação de Juliette Binoche, digna de prémios, é marcante, consegue ser emocional sem chegar a extremos e mantém, quase sozinha, todo o filme. Ao seu lado, William Shimell acaba por passar quase despercebido, quase que dando apenas o tom às cenas que Binoche representa.

O Melhor: Juliette Binoche.
O Pior: Pode custar a adaptar à constante mudança de língua, felizmente as legendas mantêm-se sempre em português.

 
A Base: Um filme adulto, que não oferece uma leitura definida dos temas que apresenta e nos deixa a pensar…8/10
 
João Miranda

 

 

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