‘The Kids are all right’ por Jorge Pereira

(Fotos: Divulgação)

Para um filme onde o casal central é composto por duas mães (Annete Bening e Julianne Moore) esta é uma obra bem convencional. E outra coisa não seria de esperar, pois neste trabalho de  Lisa Cholodenko, o facto de estarmos perante um casal gay não é o tema a destacar.

O que “The Kids are Alright” aborda é a universalidade dos problemas conjugais, a atracção mútua, a responsabilidade quando se tem filhos, o envelhecer e ser apreciado pelo nosso parceiro até ao fim das nossas vidas. E isso sabemos que não é fácil. No fundo, a disfunção familiar é um problema  que pode afectar todas as famílias nucleares, independentemente da orientação sexual dos cônjuges.

E provavelmente muitos dos problemas do casal Benning e Moore nunca viriam à tona, caso os filhos não tentassem saber quem era o seu pai biológico. Sim, porque ambas recorreram à inseminação artificial através de um único doador.

Quando descobrem o “pai”, a família vê-se com mais uma personagem que não vai fazer balancear a união de todos, mas apenas servir como exposição dos problemas que já tinham.

De um lado temos uma mãe médica, Benning, bastante protectora dos filhos (mãe galinha), mas que tenta através de um pseudo-liberalismo das palavras mostrar o contrário. Do outro lado, temos outra mãe que funciona mais como uma dona de casa que toma conta dos filhos, porque a sua carreira ruiu com o nascimento das crianças. E mesmo tentando arranjar algo para fazer, é notório que a mulher não sabe bem o que quer, nem sente que à sua volta haja grande desejo em que ela tenha uma carreira.

Quando os dois filhos, Joni (Mia Wasikowska) e Laser (Josh Hutcherson) decidem procurar o seu pai biológico (Mark Ruffalo), ambas as mulheres sentem um frio na espinha como se pudessem perder as crianças, ao deixar um intruso entrar na sua zona de conforto.

Mas antes de perder as crianças, elas perdem-se a elas.

No fundo, e tirando aquele detalhe de estarmos perante um casal lésbico, “The Kids are alright” é o típico filme independente que é carregado pelos desempenhos das personagens e por uma disfunção familiar. Um dia, e numa crítica bem antiga, descrevi esse drama do cinema independente como uma espécie de doença (indie-osis), porque este é um tema comum no cinema made for sundance.

E Lisa Cholodenko já tinha mostrado que a sua forma de estar no cinema é assim: com uma fita construída para agradar o público com problemas em que se projectem. Tudo muito bem estruturado, mas tudo muito vulgar. Por isso a minha afirmação inicial. Apesar de esta obra não ter uma família tradicional, este é filme bem convencional.

Concluindo, “The Kids are alright” é uma obra interessante de ver. Mas se olharmos bem fundo, não há nada de diferente em relação a esta família a não ser a constituição do casal. E isso é irrelevante para esta história

O Melhor: Benning, Moore, Ruffalo
O Pior: A certa altura só existe o casal e tudo o resto parece nem interessar

A Base: “The Kids are alright” é uma obra interessante de ver. Mas se olharmos bem fundo, não há nada de diferente em relação a esta família a não ser a constituição do casal. E isso é irrelevante para esta história…5/10

 
Jorge Pereira

Últimas