‘Machete’ por João Miranda

(Fotos: Divulgação)

Robert Rodriguez é, como Tarantino, obcecado pelos filmes B dos anos 70 e está continuamente a fazer filmes de orçamento elevado a imitar os que eram maus por não o terem. “Machete” é um daqueles filmes ultra-violento, misógino e estúpido, mas não é isso que o torna mau. O pior de “Machete” é a pretensão de uma mensagem.

Com a estrutura típica de um filme destes, Machete, protagonizado por Danni Trejo, uma daquelas caras conhecidas como um dos vilões neste tipo de filme, vê toda a sua família a ser morta no início do filme por aquele que se torna no seu arqui-inimigo. Passados alguns anos vemos Machete envolvido num esquema político em que lhe pedem que assassinem um senador norte-americano. E é aqui que o filme falha: a sua visão distorcida machista e belicista de resolução de problemas, aumentada exponencialmente pelo léxico visual usado por este tipo de filmes e construído ao longo de anos, associada a um simplificar de um tema complexo torna este filme em algo muito mais perigoso do que apenas entretenimento.

O que este filme queria fazer foi feito com muito mais humor o ano passado num filme que, infelizmente, não teve distribuição nas salas portuguesas: “Black Dynamite”. “Machete” é um filme pretensioso e perigoso pela mensagem que pretende passar. No entanto, aposto que irá ter sucesso nas salas e que será consumido de forma acrítica como as pipocas que o acompanharão.

O Melhor: O estilo visual.
O Pior: A leitura simplista de um tema sociopolítico complexo.

A Base: O que este filme queria fazer foi feito com muito mais humor o ano passado num filme que, infelizmente, não teve distribuição nas salas portuguesas: “Black Dynamite”…3/10

 
João Miranda

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