‘Eat, Pray, Love’ por Jorge Pereira

(Fotos: Divulgação)

Baseado no grande sucesso literário de Elizabeth Gilbert, o filme “Eat, Love, Pray” acompanha as memórias da própria, narrando a viagem da autora à volta do mundo depois do divórcio, e o que descobriu durante as suas viagens.

Liz Gilbert (Julia Roberts), aparentemente, tinha tudo o que uma mulher moderna aspira ter. Profissionalmente é bem sucedida, sendo uma escritora de sucesso. É casada, tem uma casa, mas isso não chega. Disposta a sair da sua zona de conforto, Liz parte para um divórcio que o marido contesta. Confusa e sem saber bem o que quer, ela segue em viagens pelo mundo fora, onde Come (Itália), Reza (Índia) e encontra o Amor (Indonésia). E tudo isto para encontrar uma paz interior, algo que a faça feliz porque claramente no casamento não o era, nem na relação que teve a seguir. No fundo ela não é feliz casada, nem solteira, nem nunca. Resta agora passar algum tempo consigo própria. O problema é que nós também temos de passar mais de duas horas com ela.

É que, no fundo, a personagem de Julia Roberts é uma privilegiada narcisista que não está bem com nada do que tem. Se o filme tivesse mais uns vinte minutos, talvez Javier Bardem tivesse o mesmo destino de Richard Gere em “Runaway Bride”.

E mesmo Julia Roberts, que dá o seu charme habitual à personagem, não salva Liz de ter uma personalidade bacoca e recheada de filosofias de pacotilha. A certa altura do filme, Liz diz à personagem de Richard Jenkins que ela fala por frases feitas. Porém, e se analisarmos bem, toda esta obra é assim: uma enorme construção de frases feitas e pseudo filosofias de vida que no fundo escondem uma personagem mimada e profundamente narcisista.

Para piorar temos uma visão dos locais em estilo postal de viagem, ou seja, os clichés  e a visão “gringa” do mundo é o que sobressai nesta obra de Ryan Murphy.

Salvam-se então os actores, especialmente Roberts e Jenkins, que proporcionam alguns dos melhores momentos do filme.

Não sei se o livro é assim como o filme, mas desconfio que seja muito mais do que estes penosos 140 minutos.

A evitar…

O Melhor: Julia Roberts e Richard Jenkins
O Pior: Os clichés locais e a filosofia de pacotilha

A Base: se analisarmos bem, toda esta obra é assim: uma enorme construção de frases feitas e filosofias de alcova que no fundo escondem uma personagem mimada e profundamente narcisista…3/10


Jorge Pereira

Últimas