‘El Último Verano de la Boyita’ por Jorge Pereira

(Fotos: Divulgação)

Toda a gente parece estar a mudar em torno de Jorgelina (Guadalupe Alonso), uma criança que vê a sua irmã dar aquele salto em que começa a ter o período e a interessar-se pelos rapazes e pela roupa que veste, especialmente os sutiãs.

Esta passagem de uma criança para a adolescência, deixa a pobre Jorgelina sem ninguém para brincar, o que faz com ela vá com o pai para o campo em vez de ir com a mãe para as zonas costeiras. Chegada às pampas, Jorgelina passa os dias num tanque a refrescar-se, encontrando em Mario a única criança com que pode brincar. Mas a vida de Mario não é tão infantil como a de Jorgelina. Este, para além de ter de ajudar o pai no trabalho, ainda tem de se preparar para uma corrida de cavalos muito importante na região.

Há medida que os dois vão-se tornando mais próximos, a intimidade aumenta, e com ela a confiança, mesmo para revelar alguns segredos a nível sexual que transformarão para sempre as suas vidas e a das pessoas que as circundam – que preferiam mesmo negar e impedir que tal seja mesmo verdade.

Baseado nas experiências de infância da cineasta Julia Solomonoff, o filme tende para um realismo inabalável muito característico do cinema argentino, mas sem nunca pecar no mostrar de forma exagerada todos os passos das personagens. Assim é criado um filme realista, mas belo e nunca exasperante em falta de conteúdo ou tempos mortos. No fundo, e o grande Twist do filme (que acaba por não ser), é que Mario está a passar exactamente pelas mesmas fases da adolescência de Luciana, a irmã de Jorgelina, o que torna este conto coming-of-age bastante diferente do que  habitualmente vemos no cinema.

Com boas prestações dos actores, e  uma acção interessante de se seguir, tal como uma evolução não histérica dos eventos, nem manipuladora, o vencedor do último Queer Lisboa  é um filme muito curioso e que demonstra mais uma vez a força, carácter, unicidade  e personalidade que o cinema argentino presentemente possui.

A ver

O Melhor: O realismo
O Pior: Estreou apenas numa sala em todo o país

A Base: Um filme muito curioso e que demonstra mais uma vez a força, carácter, unicidade  e personalidade que o cinema argentino actualmente detém…7/10

 

Jorge Pereira

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