
Há medida que os dois vão-se tornando mais próximos, a intimidade aumenta, e com ela a confiança, mesmo para revelar alguns segredos a nível sexual que transformarão para sempre as suas vidas e a das pessoas que as circundam – que preferiam mesmo negar e impedir que tal seja mesmo verdade.
Baseado nas experiências de infância da cineasta Julia Solomonoff, o filme tende para um realismo inabalável muito característico do cinema argentino, mas sem nunca pecar no mostrar de forma exagerada todos os passos das personagens. Assim é criado um filme realista, mas belo e nunca exasperante em falta de conteúdo ou tempos mortos. No fundo, e o grande Twist do filme (que acaba por não ser), é que Mario está a passar exactamente pelas mesmas fases da adolescência de Luciana, a irmã de Jorgelina, o que torna este conto coming-of-age bastante diferente do que habitualmente vemos no cinema.
Com boas prestações dos actores, e uma acção interessante de se seguir, tal como uma evolução não histérica dos eventos, nem manipuladora, o vencedor do último Queer Lisboa é um filme muito curioso e que demonstra mais uma vez a força, carácter, unicidade e personalidade que o cinema argentino presentemente possui.
A ver
O Melhor: O realismo
O Pior: Estreou apenas numa sala em todo o país
A Base: Um filme muito curioso e que demonstra mais uma vez a força, carácter, unicidade e personalidade que o cinema argentino actualmente detém…7/10
Jorge Pereira

