Um das ideias mais bem conseguidas desta sequela é, precisamente, a forma como integra o original. Começamos por assistir às gravações familiares de uma familia com dois filhos, uma adolescente e um bebé. Eventualmente a tia deles vem visitá-los e é… Katie, a protagonista do primeiro filme. O nosso primeiro desafio passa por descobrir se estamos perante uma prequela ou uma sequela dos eventos de ‘Paranormal Activity’, o que é por si uma experiência original.
Se em ‘PA’ viamos quase só uma câmara, aqui vemos umas quatro ou cinco câmaras de vigilância espalhadas pela casa. A principal é, claro está, a câmara do quarto do bebé onde o filme insiste que vão acontecer coisas terríveis. E aos poucos, começam. ‘PA2’ funciona aqui tão bem e interactivo como o primeiro: o espectador está constantemente a tentar descobrir pistas nas gravações e adivinhar os momentos de sustos. Quando vi o original no cinema aconteceu o mesmo que aqui: o público ficou histérico e gritou, riu e até saltou da cadeira. Há que reconhecer muito mérito nisto: ‘PA’ tira muitas emoções do público e é uma experiência de terror divertida.
Em comparação directa, esta sequela tem uma história e personagens mais bem construídas que o original, o qual tinha segmentos algo chatos e sem interesse. Não que ‘PA2’ não tenha algumas sub-histórias rotineiras – e estereotipadas – mas o seu ritmo é sempre constante e bem conseguido.
No entanto, é um filme que fica aquém do seu potencial, especialmente quando chegamos à parte final. Se ‘PA’ apostava na câmara fixa e na atencipação, ‘PA2’ cai na tentação de imitar ‘The Blair Witch Project’ e ‘REC’ se sair com a câmara na mão, a abanar e a usar “night-vision” na escuridão. O seu climax de terror é, por isso, igual ao de tantos outros filmes do protocolo Found Footage.
A presença de Katie e a ligação ao filme original é uma excelente ideia, mas o seu desenlace é demasiado previsível. O filme consegue acabar inclusive em nota descendente, o que não é normal (nem desejável) num filme de terror. Fica a ideia que com tantas boas ideias, ‘PA2’ podia ter sido uma experiência aterrorizante mas fica-se por um trabalho bem cumprido.
O melhor: A ligação entre o primeiro e o segundo filme.
O pior: A perseguição final, mais ‘REC’ do que ‘Paranormal Activity’.
A base: ‘PA2’ é uma sequela sólida, com boas ideias e alguns sustos, mas que foi desenvolvida à pressa e abaixo do seu potencial… 7/10
José Pedro Lopes

