Assim, seguimos Syracuse (Colin Farrell), um pescador irlandês cuja vida se transforma quando ele encontra uma bela e misteriosa mulher, Ondine (Alicja Bachleda), na sua rede de pesca. A sua filha, Annie (Alison Barry), que sofre de insuficiência renal e tem de andar numa cadeira de rodas, está convencida que Ondine é uma “selkie” (criatura mitológica semelhante a uma sereia), enquanto Syracuse, ou circus como é apelidado, se vai enamorando por ela, ainda que de forma muito medrosa para não sofrer, nem fazer sofrer.
Com uma fantástica fotografia de Christopher Doyle, que captura genialmente a paisagem costeira irlandesa, Ondine é um filme na sua essência brilhante, especialmente porque mistura o misticismo das selkies com dramas bem quotidianos, apresentando assim personagens com que facilmente nos ligamos e apaixonamos.
Destaque para a fabulosa prestação dos actores. Colin Farrell é um alcoólico em recuperação, que se confessa ao padre apenas porque não existem Alcoólicos Anónimos na cidade. Já Alicja Bachleda surpreende com o seu tom misterioso, ingénuo mas também muito sofrido. No fundo, ambas as personagens têm feridas muito recentes e tentam fugir a um passado que teima em os perseguir. Repleto de química, este casal está perfeito para este conto de fadas moderno, que com uma banda-sonora brilhante, onde os sigur rós tem um papel de grande destaque, se torna um dos grandes filmes do ano e uma obra tão apaixonante como imperdível…
O Pior: Estreia tarde e provavelmente em poucas salas para o que merece
A Base: Um dos grandes filmes do ano e uma obra tão apaixonante como imperdível…9/10

