‘Machete’ por Bruno Marques

(Fotos: Divulgação)
Os tempos mudaram, muitas vezes o que era trash hoje é Cult. “Machete” (2010), dirigido pela dupla Ethan Maniquis e Robert Rodriguez, é um exemplo desse tipo de transformação. A saga do policial mexicano, protagonizada por Danny Trejo, privilegia os clichés dos clássicos filmes B nos anos 70 e 80 que o realizador de “Planet Terror” sempre fez questão de fazer referências em suas produções.

Muito antes dos high techs “Spy Kids” e “The Adventures of Sharkboy and Lavagirl“, Rodriguez já fazia homenagens ao estilo nos excelentes “El Mariachi” e “Desperado”. Contudo, foi com o projecto Grindhouse (fruto da parceria com Quentin Tarantino) que o cineasta passou a ter uma preocupação de traduzir a experiência de assistir uma sessão de cinema do género, usando os defeitos técnicos como parte da narrativa.

O argumento não poderia ser mais básico. Machete (Trejo) recebe a tentadora proposta de assassinar o senador racista John McLaughlin (Robert De Niro), num evento durante sua campanha de reeleição. No meio da acção, Machete é gravemente ferido. Após sua rápida recuperação parte em busca de vingança, para isso contará com a ajuda da policia Sartana Rivera (Jessica Alba), da revolucionária Luz (Michelle Rodriguez) e do padre Cortez (Cheech Marin).

Frequentador assíduo dessas produções comumente apresentadas em canais e horários pouco atraentes , Danny Trejo, sempre teve sua imagem ligada à equipa dos vilões. Ao assumir o papel do mocinho revelou-se um actor tão competente quanto os astros Arnold Schwarzenegger ou o próprio Seagal que, dessa vez, interpreta um sanguinário traficante de drogas. Não é à toa que bordões como Machete don’t text (Machete não envia SMS) e Machete improvises (Machete improvisa) já circulam com destaque na internet.

É provável que a actuação de Trejo tenha surpreendido até mesmo os realizadores da longa,-metragem que exageraram na quantidade de tramas paralelas, provavelmente pensando que o veterano actor não conseguiria segurar a atenção do público nos 100 minutos de projecção. Além disso, em alguns momentos, há uma preocupação excessiva de fazer críticas à política de imigração americana. Se por um lado estar em sintonia com questões sociais pode ser visto como fator positivo, por outro lado faz com que ocorra uma quebra se comparado ao início extremamente movimentado, confundindo o espectador que, na maioria dos casos, pagou para se divertir sem fazer muitas exigências ao cérebro.

Agora a esperança dos fãs é que nas sequências: “Machete Kills” e “Machete Kills Again” (ao pé da letra ‘Machete Mata’ e ‘Machete Mata de Novo’), a dupla de drealizadores deixe que o agente federal mexicano mostre todo seu talento sem se preocupar com os problemas reais da sociedade americana.

Bruno Marques -Crítica realizada durante o 34ª Mostra Internacional de cinema de São Paulo.

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