
Em 2003, o seu filme final de curso – ‘ The Forest For The Trees’ – deixou uma forte marca no cinema, chegando mesmo a estar presente em Sundance.
Sete anos depois, a cineasta regressa num tom mais intimo e centrado em duas personagens que, apesar de inicialmente parecerem apaixonadas, estão longe do casal idílico que se anunciava.
Chris e Gitti estão na Sardenha, em Itália, a passar férias. Ela é mais espontânea e apaixonada. Ele é mais frio, calmo e cerebral. É através das suas brincadeiras e rituais fúteis que notamos logo uma crescente tensão, numa estrutura de micro-dramas dentro algo maior que é a sua convivência diária.
Mas se as diferenças dos desejos de ambos inicialmente tendem a ser colmatadas com as cedências de Gitti, rapidamente esta começa a desesperar por deixar de ser aquilo que é e não saber o que o namorado deseja.( Chris inicialmente foge do mundano, do normal, depois já gostaria que Gitti fosse mais assim).
Paralelamente a estas cedências, Chris parece cada vez mais assumir o papel de líder da relação, contrastando com a sua forma de ser no mundo laboral, onde parece confundir hesitação com idealismo.
E apesar de Maren Ade ter conseguido criar aqui um introspectivo filme da vida de um casal, os momentos dramáticos não tem a força que deviam na hora que se previa. O fracassado jantar com um casal conhecido de Chris, a fuga deste para uma saída nocturna e o momento em que ambos se perdem no meio de colinas não tem a força que deviam ter e só quando Gitti literalmente se atira de uma janela somos arrombados por verdadeiro desconforto e de uma urgente necessidade de mudança. (já a visita ao espaço da mãe, onde cristais, bonecos e músicas do passado se juntam é extremamente conseguido).
Destaque para as interpretações dos actores, num filme que certamente teve muito mais sucesso em Festivais arthouse do que propriamente o que terá num circuito comercial.
O Melhor: O salto (contido) de Gitti pela janela é genial
O Pior: Não vai suficientemente longe quanto devia na força dramática dos eventos principais da obra.
A Base: Apesar de Maren Ade ter conseguido criar aqui um introspectivo filme da vida de um casal, os momentos dramáticos não tem a força que deviam na hora que se previa… 5/10

