O passado e o presente atropelam-se neste ‘Águas Turvas’, uma obra de Erik Poppe que demonstra a vitalidade do novo cinema norueguês.
Thomas é um ex-condenado que após cometer um crime, que levou à morte de um menino, é solto da cadeia. Depois de tocar órgão na instituição prisional onde este detido, Thomas procura emprego numa Igreja, o único local onde um ex-condenado poderia ter uma real segunda chance.
O problema é que Thomas, constantemente atormentado pelos fantasmas do passado, é uma pessoa muito marcada psicologicamente e essa condição acentua-se quando a mãe do jovem que ele assassinou descobre que ele agora toca numa Igreja.
E se primeiro somos confrontados visualmente com o crime do ponto de vista de Thomas, na segunda metade assistimos ao mesmo pelos olhos da mãe da criança.
Popper sabe jogar muito bem com presente e passado, assim como com actores nitidamente sobrecarregados com as responsabilidades que possam ter tido no caso.
Trine Dyrholm e Pal Sverre Valheim tem interpretações marcantes e bem vincadas, capazes de nos deixarem completamente desconfortáveis com os seus problemas e temores.
Este é sem dúvida um filme marcante e que perdurará na nossa cabeça muito mais que a maioria dos filmes desmiolados que a silly season do Verão adora mostrar. É que no final não sabemos quem é o vilão ou a vítima ou quem deve julgar ou ser julgado.
O Melhor: Os actores
O Pior: Pouca gente vai ver este filme
A Base: Um filme marcante e que perdurará na nossa cabeça…7/10
Jorge Pereira

