“Brothers” começa desde logo com uma premissa que não me cativa particularmente no cinema, trata-se de um “remake”. O seu original é dinamarquês, datado de 2004 e tem como título original “Brødre”.
No entanto, e dado que as feridas de guerra são o tema principal da obra principal do filme nada mais esperado do que a sua versão norte-americana. Aliás, no ano em que “The Hurt Locker” arrecadou o Oscar de Melhor Filme com a sua visão do que a guerra faz a mentalidade dos homens, dois outros filmes sobre guerra passaram à margem: “Brothers” e “The Messenger” que proporcionou a nomeação ao Oscar de Melhor Actor Secundário a Woody Harrelson.
Mas voltemos a “Brothers”, um chefe de família, veterano de guerra, e viúvo tem dois filhos: Sam (Tobey Maguire) é um herói de guerra que “serve” o seu país, Tommy (Jack Gyllenhaal) é um maltrapilho perdido na vida em constante conflito com todos.
Quando Sam é dado como morto no Afeganistão deixando a sua mulher Grace (Natalie Portman) com duas filhas pequenas, Tommy ganha pela primeira vez uma responsabilidade na vida, zelar pelo bem-estar da cunhada e das sobrinhas.
“Brothers” é um filme que vive sobretudo da força das interpretações do seu trio de protagonistas. As feridas abertas que as guerras sazonais vão deixando nas famílias americanas estão aqui implícitas, sobretudo nos conflitos geracionais entre o pai e o seu filho mais novo. Por outro lado mostra-nos o desespero dos que ficam, mas igualmente a culpa dos que voltam. No entanto, é claro o esforço de Jim Sheridan de não cair em melancolia e sentimentalismo extremo.
Dentro da sociedade americana “Brothers” serve por si só como um exercício de reflexão interna para mais uma geração de veteranos de guerra. Sendo igualmente curiosa a estreia do filme na semana em que os Estados Unidos retiram em força do Iraque. Resta saber como regressarão estes veteranos.
A base: As feridas abertas que as guerras sazonais vão deixando nas famílias americanas. 6/10
O melhor: As interpretações de Maguire e Portman
O pior: Sentirmos que lhe falta algum condimento que o leve mais além.
Carla Calheiros

