‘Salt’ por Cátia Simões

(Fotos: Divulgação)

“Salt”, o novo filme de Phillip Noyce com Angelina Jolie no papel principal, tem todo o potencial para se tornar uma nova saga de acção com contornos políticos, à semelhança de “The Bourne Identity”, que consagrou definitivamente Matt Damon.

Os ingredientes estão lá todos: o filme gira em torno de Evelyn Salt (Jolie) uma agente da CIA especializada na Rússia e que se depara com a acusação de ser uma espia daquele país, com a missão de matar o presidente russo, presente nos Estados Unidos para ir ao funeral do vice-presidente norte-americano.

A partir desse momento inicia-se um ciclo vertiginoso de perseguições, intrigas e muitas explosões, que vão fazer as delícias de qualquer apreciador do género acção. Alem de todo o aparato das cenas de acção o argumento vai buscar os ecos da Guerra Fria, com o treino de espiões russos de elite, infiltrados nos Estados Unidos à espera do dia X, altura em que a Rússia se erguerá novamente da sombra e dominará o mundo. Aliada a esta premissa já conhecida dos filmes de espiões, “Salt”, alia o novo terrorismo, com referencias à Al-Qaeda, ao Iraque e ao Irão.

São os ingredientes certos para uma história que promete continuação e que conta com uma série de twists imprevistos, apesar de algumas cenas pouco verosímeis, como em qualquer filme de acção que se preze (por exemplo, Jolie a saltar de um helicóptero).

E a realização, rápida e praticamente sem espaços para respirar, aliada aos efeitos especiais, não dá espaço a qualquer momento mais aborrecido, mesmo quando ficam pormenores por contar nas entrelinhas. A maior falha é a nível de argumento: os diálogos são fracos, demasiado explicativos e algumas vezes vazios de conteúdo.

Além da premissa, o filme consagra também a versatilidade de Angelina Jolie como actriz mas coloca-a num universo onde ela se sente à vontade: o de mulher forte e independente e que vai andar por aí a rebentar coisas para, talvez, salvar o mundo.  Contudo, a actriz encontra aqui um equílibrio que não vemos, por exemplo, em “Tom Raider”. Ela não é a bad girl, ela tem características e conhecimentos muito especiais mas adopta uma postura frágil que a tornam mais convincente.

Um destaque também para a prestação de Liev Schreiber, que veste a pele de Ted Winter, o parceiro de Salt que é responsável por uma das cenas de maior tensão do filme. 7/10

 

O Melhor: as cenas de acção e a premissa de que a Guerra Fria continua a existir, debaixo de uma capa de diplomacia.
O Pior: o argumento deixa a desejar, com diálogos vazios e alguns momentos previsíveis.

A Base: um filme de acção ao estilo “Bourne” mas desta vez tratamos de espiões russos altamente treinados.

Últimas