‘The Last Airbender’ por Cátia Simões

(Fotos: Divulgação)

 M. Night Shyamalan assumiu, neste “The Last Airbender”, o imaginário fantástico que já tinha aflorado em “Lady in the Water”.

O realizador indiano, que ficou conhecido por filmes como “The Sixth Sense”, poderá defraudar os seus seguidores mais acérrimos. Principalmente após as suas duas últimas fitas, “Lady in the Water” e “The Happening”, que foram um ‘flop’. Este filme, adaptado de um desenho animado da Nickelodeon, é mais para miúdos que para graúdos e nem o 3D o torna mais espectacular.

 A história gira em torno de Aang, uma criança que é o mais jovem sucessor de uma linha de Avatares, os salvadores do equilíbrio do mundo e que dominam os quatro elementos: Ar, Água, Terra, Fogo. O mundo, dividido em quatro reinos onde cada um dos povos domina cada elemento, está envolvido numa guerra em que o reino do Fogo quer conquistar os outros, pelo desaparecimento deste Avatar, que reaparece um século depois. Aang, que é o último a dominar o elemento Ar (daí o nome do filme, o último Airbender), é encontrado no gelo por dois irmãos, Katara e Sokka, da tribo da Água, e inicia-se uma jornada para libertar este mundo das mãos do reino do Fogo. Katara é uma “bender”, ou seja, domina o elemento do seu povo, neste caso a água, mas o exercício destes poderes está proibido pelos conquistadores. Os três amigos vão tentar restaurar a liberdade e o equilíbrio, mas neste primeiro filme a batalha só conheceu o primeiro capítulo…

 A história é infantil, não traz qualquer surpresa e é pouco elaborada a nível de argumento. Há momentos em que nos lembramos de “The Chronicles of Narnia”, outras vezes de todos os filmes relacionados com budismo que já vimos. Nada é realmente novo. Os diálogos são o mais pobre do filme e chegam a cair no cliché. Shyamalan tenta trazer densidade emocional e tensão para a fita mas não resulta. Sabemos já de antemão que tudo vai acabar bem e, supostamente nos momentos de maior tensão, o caminho até ao clímax foi tão ligeiramente desenvolvido que ficamos apenas com um vago desconforto, se tanto.

 A escolha do elenco também não foi brilhante. Os actores são, na sua maioria, jovens e crianças. Aang (Noah Ringer) parece ter pouca maturidade para o peso que o seu papel lhe inspira; esquecemo-nos que já viveu várias vidas e só nos lembramos disso quando se fala em reencarnação (ao melhor estilo budista). Katara (Nicola Peltz) e Sokka (Jackson Rathbone) andam perdidos ao longo da maior parte da fita, com ar sofrido e assustado, mas não convicente. Do lado dos maus, a vestir a pele do príncipe do Fogo banido por não ter conseguido encontrar o Avatar, temos Dev Patel, a estrela de “Slumdog Millionaire’s”. E de facto é possível encontrar densidade e sofrimento nesta personagem, apesar do argumento não ter profundidade suficiente para Patel ter uma melhor prestação.

 O melhor do filme são, sem dúvida, o guarda-roupa, os cenários e os efeitos especiais. É interessante ver algumas misturas de saltos à “Matrix” com os efeitos de domínio dos elementos e o facto de ter sido feito em 3D ajuda ao realismo mas não é surpreendente. De facto, depois de Avatar ou até da Alice de Tim Burton, quase não damos conta do 3D neste filme e os óculos tornam-se simplesmente um acessório incómodo. Há algumas cenas de facto visualmente interessantes e o ritmo é mais acelerado do que aquilo a que Shyamalan nos habituou; e é o que salva a ida ao cinema, se tiver filhos ou sobrinhos que se impressionem com lutas e efeitos especiais, em vez de se esperar pela chegada do filme ao clube de vídeo para aluguer num domingo à tarde de chuva.

O Melhor: os efeitos especiais na manipulação dos elementos Ar, Água e Fogo.

O Pior: o argumento fraco, cheio de frases feitas e clichés.

 
A Base: O ritmo é mais acelerado do que aquilo a que Shyamalan nos habituou; e é o que salva a ida ao cinema. 4/10
 
Cátia Simões

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