‘Shirin’ por Gustavo Leal

(Fotos: Divulgação)

 

Finalmente é distribuído e logo em salas de cinema, o filme “Shirin” do realizador de culto iraniano Abbas Kiarostami, que realizou o fantástico e altamente conceituado “Dez”.

 “Shirin” é um daqueles filmes que apenas valem a pena serem vistos em cinema e preferencialmente mais do que uma vez.

 Conta a história de Khoshrow e Shirin, uma espécie de Romeu e Julieta do século XII, passado nas regiões da Pérsia e do Médio Oriente. No entanto, vemos tudo do ponto de vista da audiência, ou seja nós não vemos o filme, mas sim a reacção da audiência feminina  através das expressões das actrizes, numa sala de teatro perante a representação da peça.

 Após este ultimo paragrafo, o espectador geralmente têm a reacção  “que grande seca”, nunca na vida hei-de ver este filme e de certa forma têm razão, o filme nem para os denominados intelectuais é bom, não é mau, mas bom também não é.

 É simplesmente um filme diferente, esquisito, estranho, o que o torna quanto muito curioso.

 A meu ver um filme deve contar uma história que até poderia ser contada sem som e mesmo assim o espectador se aperceber do que se passa. Podemo-nos lembrar, dos surreais filmes dos 10 do século passado tipo “Viagem a Lua” de George Méliès ou das boas e velhas comédias dos anos 20 de Buster Keaton, ou Charlie Chaplin. Esses filmes diziam-nos que poderíamos não saber ler as legendas, mas que certamente percebíamos a história, até porque na altura ainda existiam grandes índices de analfabetismo.

 Em “Shirin”, pelo menos na versão portuguesa, ou percebemos iraniano ou isso não acontece, pois ou lemos as legendas ou vemos o filme. Se  optarmos por vermos o filme, que foi a opção tomada por este vosso ilustre crítico e se formos pessoas que até se interessa por filmes visuais e até parados, então temos um deleite visual, com uma fotografia de muito boa qualidade que por si só cria uma obra de arte. Um bom trabalho também é prestado na caracterização das actrizes e as expressões que elas transmitem revelam estados de alma que muitas vezes temos quando vamos ao cinema ou a uma peça. No filme também vemos homens, apesar de não muito focados, vemos estes geralmente impávidos e serenos sem demonstrarem grande preocupação ou sequer interesse com aquilo que vêm, faz-nos pensar um pouco o que será que eles estão ali a fazer, ou se as mulheres no Irão são as únicas que se podem comover, ou ainda mostrar o mais básico expressar de emoções. Um pensamento talvez correcto, tendo em conta o currículo pró-activo em defesa da mulher árabe que marca a obra deste realizador.

 A nível de história trata-se de um romance, de um amor impossível, muito ao jeito de Romeu e Julieta, ou talvez seja o contrário. Pelo menos considero superior, pois mistura a esperança na felicidade de “Shirin” a princesa que renega o trono da Arménia para ir em busca do seu amado o Príncipe Khoshrow,  que é obrigado a casar-se com a filha de um imperador romano de forma a tomar conta do seu reino. Aqui não existem famílias antigas que estão em conflito, existe sim a honra e cumprimento do dever, que leva estes amados a viveram a vida toda separados um do outro. O final tem de certa forma um dos mais trágicos finais que um romance pode ter.

 

O melhor: A imagem, uma fotografia de boa qualidade que segura o filme em qualquer altura e se calhar poderia ser ela própria digna de figurar num museu.

 O pior: Onde está o filme?

 

  A Base

  Um grupo de mulheres assiste a uma peça de teatro. 7/10

 Gustavo Leal

 

 

Últimas