As adaptações de séries televisivas ao cinema não tem sido pacíficas, e poucas são as que têm sido consideradas “dignas” pelos fãs. Por isso mesmo, adaptar “A-Team” ao cinema parecia destinado a ser apenas mais um “flop”. A série televisiva teve direito a cinco temporadas entre 1983 e 1987. E ficou marcada nos jovens portugueses em duas exibições: A versão original conhecida como “Soldados da Fortuna”, e que passava sobretudo no mítico “Agora Escolha” da RTP, e uma versão dobrada em brasileiro conhecida como “Esquadrão Classe A” nos primórdios da TVI.
Certo é que quase todos os jovens da geração de 80 vibraram com as aventuras da equipa liderada por Hannibal Smith. Por isso confesso que tinha alguma expectativa de ver a adaptação aos dias de hoje da série que tantas horas de entretenimento me trouxe na juventude.
O filme não reinventa a roda, nem isso seria esperado. Pegando nas personagens base, e em todos os bordões da série, “A-Team” apresenta-se com um propósito simples e directo, entreter e proporcionar cenas espectaculares de acção. Nada mais.
O elenco demonstra algum cuidado, não só pegando em algumas semelhanças físicas com os seus antecessores, como “treinando” os novos à imagem e tiques dos originais. Embora em termos nostálgicos isso seja um pequeno deleite a verdade é que estes actores, embora cumpram, pouco trazem de seus aos personagens.
Liam Neeson num registo bastante “light” não desilude como Hannibal Smith, mantendo o seu habitual charuto da vitória. Bradley Cooper que já se impusera nas comédias em “The Hangover” demonstra aqui uma capacidade de conjugar graça, bom aspecto e acção como Faceman.
Possivelmente terá sido mais complicado encontrar um sucessor para Mr T como BA Baracus, a escolhe acabou por recair no antigo lutador Quinton “Rampage” Jackson. BA manteve o corte de cabelo, o medo de voar, mas perdeu (felizmente!) a tonelada de jóias ao pescoço. No papel do louco Murdock encontramos Sharlto Copley, que se deu a conhecer ao mundo o ano passado em “District 9”. Já agora há mesmo algo de estranho e louco naquele olhar.
Mas falemos do filme. Tal como na série também aqui a equipa é emboscada e julgada em tribunal militar por um crime que não cometeu. A partir daqui sucedem-se os esquemas e planos que têm como único intuito provar a inocência do grupo. Complementam a trama a tenente Sosa, interpretada por Jessica Biel, e que vive uma relação de amor/ódio com Faceman. Os vilões não são memoráveis, mas também não ofuscam os heróis.
“A-Team” pode declarar que tem o seu objectivo cumprido. Entretenimento puro. No final fica o habitual grito pela sequela, a ver vamos!
O Melhor: Despretensioso, é entretenimento puro.
O Pior: As personagens estão demasiado agarradas aos trejeitos dos originais, e os actores trouxeram pouco de seu.

