‘A Nightmare on Elm Street 2010’ por Jorge Pereira

(Fotos: Divulgação)

 

 

Vinte e seis anos depois de Wes Craven ter introduzido no mundo do cinema a personagem de Fred Krueger, Michael Bay e Samuel Bayer refazem o conto de terror em forma de “reboot” tentando dar uma nova vida um problemático molestador de crianças queimado vivo pelos pais destes que se vinga dos jovens, anos mais tarde, nos seus sonhos. Isto já sabíamos no primeiro filme, não era preciso uma nova obra para o explicar. O problema é que vivemos tempos muito pouco sugestivos e em que tudo, mas mesmo tudo, serve para ganhar dinheiro.

E não haja ilusões. Esta onda de remakes de filmes de terror clássicos só tem um propósito: alimentar uma série de bocas pouco criativas em busca de lucro fácil, seja em através de pseudo-remakes em que só muda a língua em que se fala (vejam “Quarentena, ou [Rec]), seja através de remakes esteticamente apurados (veja-se The Ring), ou seja através deste “A Nightmare on Elm Street”. A questão não se trata em criticar quem faz estes filmes de forma capitalista, pois quer se queira ou não, hoje em dia o dinheiro comanda o mundo. A questão é fazer as coisas ou não bem. Ou pelo menos com a mínima chama. Eu, ao contrário do que a maioria pensa, não sou totalmente contra os remakes, ou reboots. Sou contra quem o faz sem o mínimo engenho e sem um tom puramente pessoal, apenas para vender o que tem a vender. Dou o exemplo de “The Last House on The Left”, um remake recente de um trabalho também de Wes Craven. Apesar de ser um trabalho muito semelhante ao original, o filme conseguia ter uma identidade própria e uma tensão enervante que me fez afastá-lo das obras cinematográficas refeitas recentemente. E não tenho problemas mesmo em dizer. Era melhor que o original.

Neste “pesadelo” não direi isso. Serei implacável. O refazer neste caso foi mais do mesmo, mas pior, bem pior. Primeiro porque tiraram a piada ao impiedoso Freddy Krueger e só no final, com duas ou três deixas ripadas de outros filmes, se lembraram de dar um tom diferente. Mas para piorar, e isso sim foi o que mais me fustigou, foi o facto de esteticamente, e morfologicamente, este ser do inicio ao fim um filme completamente banal em termos de terror. Aliás, há terror? Temos sempre consciência quando as personagens estão a sonhar, e sabemos o que lhes vai acontecer. Quando não sabemos, as regras do terror são impostas a murro, quer através do som das facas de Fred na parede, quer através de aumento do volume nas aparições do vilão, quer através das tipificadas entradas em cena dele. Tudo é previsível, tudo é chato. E quando digo chato digo mesmo entediante. “A Nightmare on Elm Street” é mesmo chato, aborrecido, previsível e tremendamente mal representado. Até o vilão, desempenhado pelo Rorschach de “Whachmen”, é adulterado pelo terror dos anos 00, ou seja: a sua brilhante voz é transformada de tal maneira que se torna surreal, e é tudo mas menos assustadora. A sua aparência também o transfigura de tal maneira que até poderiam apenas ter contratado um desconhecido para fazer as suas sequências.

O elenco de jovens é medíocre. Não há ninguém que se salve ou que tenha identidade. No filme original também não tivemos grandes prestações, mas o restante da obra remetia essa situação para segundo plano. Ora quando tudo falha, nós tentamos sempre procurar algo que nos chame a atenção. Não há nada neste filme. Até a banda sonora é banal, no mínimo. Nos anos 80 faziam-se bandas sonoras de terror tão minimalistas como assustadoras (pensem em “The Thing” ou até nos simples acordes do “Nightmare” original). Hoje em dia elabora-se mais mas nada nos faz relembrá-las.

Por isto tudo, “A Nigthmare on Elm Street” é um filme escusável. E por mim, até estou a ser simpático nisso, porque no fundo, como remake, reeboot, ou filme isolado do mundo, estamos perante um verdadeiro lixo de terror dos anos ’00. Samuel Bayer tem muita responsabilidade, mas foi no trabalho de fundo, na suposta recriação que tudo falhou.

O melhor: Os trailers que deram antes do filme

O pior: Quase tudo.

A Base

Se é para fazer isto, mal vale estarem quietos. Sossegados, e deixarem os filmes de terror dos anos 70 e 80 no baú. 1/10

Jorge Pereira

 

crítica: ‘A Nightmare on Elm Street 2010’ por José Pedro Lopes (6/10)

 

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