‘Celda 211’ por Jorge Pereira

(Fotos: Divulgação)

Juan Oliver (Alberto Ammann) é um jovem guarda prisional que decide visitar o local onde futuramente vai trabalhar para conhecer melhor os cantos à casa. Acompanhado por outros guardas locais, Juan vai vendo como é o dia a dia na prisão, os truques com que tem de lidar e constatar que aquele local tem péssimas condições.

É durante essa visita de ‘estudo’ ao futuro local de trabalho que Juan se vê no meio de um motim liderado por “Malamadre”, o preso mais poderoso do recinto e que pretende uma série de coisas para não matar os reféns que entretanto fez.

Mas desenganem-se se pensam que Juan é um desses reféns. No meio de toda a confusão, Juan conseguiu fingir e fazer-se passar por um preso comum, pois afinal de contas ainda ninguém o conhece como guarda-prisional.

A partir daqui começa um intenso thriller de suspense, ao mesmo tempo que vamos conhecendo um pouco mais todos os intervenientes na prisão. De guardas a presos, passando por políticos ou meros agentes burocráticos de todo o processo, uma coisa é comum a todos: ninguém é mau por natureza, mas os eventos e a pressão existentes podem mudar uma pessoa de um momento para o outro.

Por isso o filme triunfa em toda a sua plenitude. Para além de ser um poço infindável de tensão e suspense, todas as suas personagens são de tal maneira multidimensionais que nunca sabemos o que esperar a seguir. Para além disso, foca ainda uma questão muito grave politicamente em Espanha: os etarras nas cadeias, a sua relação com os outros presos e a importância que assume o facto de não lhes poder acontecer nada na cadeia, senão há problemas por todos os estabelecimentos prisionais espanhóis.

Destaque ainda para a prestação dos actores, especialmente Luís Tosar e Alberto Ammann. Sem nunca brilhar, Ammann é muito seguro e dá suficiente dinamismo e paixão a um Juan em plena transformação. É o paraíso e o inferno em Uma Hora e quarenta e cinco minutos. Já Tosar é simplesmente brilhante, quer na raiva, quer na impulsividade, quer em quase tudo.

Imperdível, e um digno vencedor dos Prémios Goya.

O Melhor: A constante tensão e a multidimensionalidade das personagens.
O Pior: As cenas de cama de Juan e a sua esposa fazem demasiado lembrar “Irreversible”.

  A Base

Para além de ser um poço infindável de tensão e suspense, todas as suas personagens são de tal maneira multidimensionais que nunca sabemos o que esperar a seguir…… 9/10


Jorge Pereira

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