‘The Time Traveler’s Wife’ por Jorge Pereira

(Fotos: Divulgação)

As viagens no tempo sempre tem sido abordadas no cinema nos mais diversos géneros, destacando-se nos filmes de acção (“Timecop”, “Time Machine”) e nas comédias (“Bill & Ted Excellent Adventure”, “Back To The Future”). Pessoalmente, lembro-me apenas de dois filmes que se podem considerar romances que abordam esta questão: “Ditto” e “Il Mare”, dois trabalhos sul coreanos que colocavam pessoas em tempos diferentes em contacto.

Por isso, “The Time Traveler’s Wife ” acabava por ser uma experiencia diferente, num género menos afoito à ficção científica e mais ligado ao lado real das coisas..

Neste filme seguimos Henry(Eric Bana), um homem que tem o estranho problema/dom de ser capaz de “soltar-se no tempo” a qualquer momento – ir à frente (ver-se idoso) ou regressar atrás (ver a sua mãe ainda viva), e tudo isto devido a um problema genético dificil de explicar, e muito mais de entender.

O primeiro episódio desse fenómeno ocorre quando ele é muito jovem e está prestes a sofrer um acidente de carro ao lado da mãe. No instante seguinte, ele já se encontra parado ao lado da versão adulta de si próprio a ouvir a explicação do que lhe está a ocorrer.

Contar os eventos parece mais confuso que o filme é, mas tudo se complica quando ele se apaixona por uma mulher (Rachel McAdams) que conhece desde pequena mas que quando aparece pela primeira vez na sua vida ele não faz a minima ideia de quem seja.

É no relacionamento dos dois, em diferentes períodos da vida de ambos que o filme se foca, acentuando os problemas inerentes ao saber o seu próprio destino e tendo consciência que nada do que se faça alterará o futuro – pois este está traçado. O facto de saber através da amada o impacto que ele teve na sua vida – mas não a conhecendo ainda no tempo presente – leva a uma competição muito interessante consigo mesmo e que nos leva a pensar bastante.

Com um bom elenco e um argumento interessante, baseado no livro de Audrey Niffenegger, “The Time Travelers Wife” é assim um romance melodramático, sem nunca porém cair no dramalhão de fazer chorar as pedras da calçada, que facilmente conseguiria ser. Mérito nisso para Robert Schwentke (“Tatoo”, “Flightplan”), que consegue criar uma empatia bastante grande entre as duas personagens principais e nos deixa apaixonarmo-nos por elas, mesmo nós sabendo a curto prazo o seu destino.

Filmado com tons muito outonais que dão um tom melancólico, nostálgico e com a certeza que tudo vai acabar mal, “The Time Traveler’s Wife” acaba por ser uma experiência muito interessante do assunto das viagens do tempo, dando-lhe uma dimensão dramática poucas vezes reflectida neste género cinematográfico.

O Melhor: A empatia entre os actores
O Pior: Parece mais confuso que é

  A Base

“The Time Traveler’s Wife” acaba por ser uma experiência muito interessante do assunto das viagens do tempo, dando-lhe uma dimensão dramática poucas vezes reflectida no cinema… 6/10

 

Jorge Pereira

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