O filme praticamente começa com o rapto e a partir daí somos confinados, até bem perto do final, a dois únicos cenários. Uma carrinha (onde decorre o rapto) e uma casa bem blindada (onde a vítima pernoita). Este minimalismo dá logo uma sensação de desconforto ao espectador, que se vê, como a vítima, confinada a um pequeno espaço.
Porém, e no decorrer da trama, a sequestrada não se vai revelar uma pêra fácil de roer. As personagens tem suficientes ambiguidades para não sabermos nunca o que pensar delas, o que dá uma dimensão bastante interessante à obra. Entre “Chaos” de Nakata, “Hard Candy” de Slade, ‘Secuestro Express’ de Jonathan Jakubowicz e “Shallow Grave” de Boyle, com twists impensáveis à mistura, “Alice Creed” é um thriller de roer as unhas, sempre com um ambiente tenebroso que aponta para que tudo vai acabar muito mal.
E nisso J. Blakeson revela-se fulminante na sua câmara, colocando-nos no meio da acção e sem saber, tal como as personagens, o que pensar ou acreditar.
A não perder
O Melhor: A ambiguidade das personagens e os jogos mentais
O Pior: Não teve em Portugal o destaque que merecia
A Base: Gemma Arterton, Martin Compston e Eddie Marsan dão expressividades e emoções às suas personagens, elevando o filme para um nível superior dos filmes habituais com raptos …8/10

