Quem teve a oportunidade de assistir ao clássico “ A Sangue Frio”, adaptação do Best-seller de Trumam Capote, irá encontrar muitas semelhanças entre as duas películas. Principalmente pelo facto de contarem com protagonistas repulsivos, contudo, apresentados como sofredores de uma doença incurável, que os motiva a matar sem sentir remorso.
A opção de justificar os crimes cometidos por Lou para uma discussão patológica tenta extrair sentimentos de piedade do público para com o protagonista – isso fica claro quando é apresentado a relação entre Lou e sua mãe -, o que acaba confrontando o espectador com seus próprios conceitos morais, assim como Michel Haneke realizou em “Benny’s Video” e “Funny Games”.
O poder da narrativa escolhida pelo realizador investe em causar aproximação entre o assassino e o público. Tanto que a história é contada a partir do ponto de vista da personagem, deixando-nos posição privilegiada da rede de relacionamentos de Lou. Dando a quem assiste o “privilégio” de conhecer a fundo o assassino que mora dentro do policia.
Essa opção de colocar o espectador em posição contrária as leis dos bons costumes não é nenhuma novidade. Basta lembra que Stanley Kubrick fez o mesmo em “A Laranja Mecânica” e hoje é cultuado pelos quatro cantos do mundo. A resposta para tamanha admiração talvez esteja presente no assassino que existe dentro de todos nós e que encontra no cinema uma forma de se revelar.
Goste ou não, o certo é que é absolutamente impossível ficar indiferente ao humor sádico de ” The Killer Inside Me “. Sem dúvida o tempo irá amenizar a repulsa que grande parte do público sentiu quando a produção foi apresentada em festivais em todo o mundo. Quando esse dia chegar, os mesmos que hoje acusam a longa-metragem de fazer apologia à violência estarão rindo com todos os dentes ao assistir os crimes bárbaros de Lou Ford, se deleitando enquanto o sangue jorra para fora da tela, assim como aconteceu quando o clássico de Kubrick foi lançado.
Bruno Marques

