‘The Infidel’ por Shannon Griffiths

(Fotos: Divulgação)

O sexo é um tabu, mas já há uns largos anos que passou para segundo plano. Com o interminável problema entre a Palestina e Israel e com todos os problema inerentes à guerra da Iraque – e já agora ao problema do Irão – nada é mais complicado falar hoje em dia que em judeus e muçulmanos, fundamentalistas e ortodoxos. Aliás, se constatarem bem, as posições entre estas duas religiões têm se extremado tanto que até duas palavras diferentes, mas muito semelhantes, são utilizadas para referir cada uma das alas mais conservadoras.

Assim não é de estranhar – e sem dúvida louvar – que alguém pegue em muçulmanos e judeus e faça uma comédia de identidades religiosas, sempre bem regada num tom pop britânico, local onde se desenrola a acção. Josh Appignanesi foi o homem com coragem de o fazer, mas não haja dúvida que a intenção é melhor que o resultado.

Omid Djalili é Mahmud, um muçulmano não praticante cuja vida dá uma volta gigantesca quando descobre que foi adoptado e que por nascença é Judeu. A partir daqui ele tenta equilibrar as suas duas identidades: se por um lado quer conhecer o seu pai biológico (um judeu ortodoxo), por outro é pressionado pelo seu filho a ser um muçulmano mais activo – de forma a que a família da sua namorada aceite o casamento dos dois.

A partir daqui constrói-se uma comédia a partir de estereótipos que entretém mas que à medida que o filme vai avançando se vai tornando enfadonha e redundante, ainda que exponha de forma bem vincada a hipocrisia e os jogos de poder que servem de combustível à intolerância religiosa.

Talvez uma média metragem fosse o ideal para uma peça como esta, ainda que sem sombra de dúvidas este é um filme que nos faz soltar umas quantas gargalhadas e nos faça apetecer ver de novo “East is East”…6/10

Shannon Griffiths

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