Assim não é de estranhar – e sem dúvida louvar – que alguém pegue em muçulmanos e judeus e faça uma comédia de identidades religiosas, sempre bem regada num tom pop britânico, local onde se desenrola a acção. Josh Appignanesi foi o homem com coragem de o fazer, mas não haja dúvida que a intenção é melhor que o resultado.
Omid Djalili é Mahmud, um muçulmano não praticante cuja vida dá uma volta gigantesca quando descobre que foi adoptado e que por nascença é Judeu. A partir daqui ele tenta equilibrar as suas duas identidades: se por um lado quer conhecer o seu pai biológico (um judeu ortodoxo), por outro é pressionado pelo seu filho a ser um muçulmano mais activo – de forma a que a família da sua namorada aceite o casamento dos dois.
A partir daqui constrói-se uma comédia a partir de estereótipos que entretém mas que à medida que o filme vai avançando se vai tornando enfadonha e redundante, ainda que exponha de forma bem vincada a hipocrisia e os jogos de poder que servem de combustível à intolerância religiosa.
Talvez uma média metragem fosse o ideal para uma peça como esta, ainda que sem sombra de dúvidas este é um filme que nos faz soltar umas quantas gargalhadas e nos faça apetecer ver de novo “East is East”…6/10

