‘Dawson – Isla 10’ (2009)

(Fotos: Divulgação)

Com Dawson Isla 10 o chileno Miguel Littin conseguiu pela primeira vez ser pré-selecionado para os Óscares pelo seu país. Em 1973, conseguiu a selecção pelo México, com “Letters from Marusia“, tendo posteriormente, em 1983 ‘levado’ à academia o filme da Nicarágua Alsino and the Condor.

Tendo sido ele próprio um refugiado político após a queda do governo de Allende em 1973, acaba por ser curiosa a escolha do realizador em fazer uma fita numa abordagem mais humana do que mero panfleto de propaganda política e social.

Neste filme, baseado num trabalho escrito de Sergio Bitar, seguimos o encarceramento por parte dos partidários de Pinochet, dos ministros e amigos mais próximos do regime de Allende. O local escolhido foi uma ilha remota situada no estreito de Magalhães, denominada Dawson, e que já no século XIX tinha sido utilizada como campo de concentração dos Selknam, um povo nativo.

Este campo de concentração de prisioneiros políticos foi desenhado por um ex-criminoso de guerra nazi chamado Walter Rauff, e constitui um dos símbolos chilenos mais vivos da repressão movida pelo regime militar que se instalou no país.

Mas apesar de todo o trabalho e de se basear nos escritos de Bitar, este não é um filme sobre ele próprio e os demais companheiros de regime numa prisão. Acima de tudo é um filme de homens em tempos de golpes militares, tratados como estrangeiros porque defendem um socialismo e um marxismo muito ligado à União Soviética.

Construído com tons pálidos, desaturados, com uma câmara de mão – que não se afasta muito dos presos, muitas vezes a lembrar o género de trabalhos documentais- a “Dawson Isla 10” falta acima de tudo uma envolvência dramática maior e um menor academismo e didatismo em torno das ideologias politicas em cena.

 
O Melhor: Os tons pálidos, gélidos, desaturados que evocam a frieza e a ausência de grande futuro aos detidos
O Pior: Falta uma envolvência emocional


Jorge Pereira

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