‘Diario de una ninfómana’ (2008)

(Fotos: Divulgação)

“A Ninfomania não existe: é algo que os homens inventaram para controlar os desejos femininos”. Assim o diz Geraldine Chaplin, personagem secundária de “Diário de uma Ninfomaníaca”, o mais recente filme de Christian Molina, adaptado a partir de uma obra literária.

Pessoalmente acho patética esta afirmação, da mesma maneira que o diria se a frase fosse de algum “machão” em relação à Satiríase ou de uma ladra sobre a cleptomania. O não controlar os impulsos através do uso da Razão é um problema, uma compulsividade, por isso até acho extremamente negativo a utilização quase comercial – de forma a atrair feministas – através de palavras anti-Razão como estas.

Mas adiante, pois uma coisa são frases e outra são acções, e o que é mostrado no filme é muito diferente da força que esta afirmação tem no trailer.

Valérie é uma jovem bonita, fascinada por sexo, que não consegue ter qualquer tipo de relação, pois como os seus parceiros afirmam – ela é insaciável. Tudo muda, porém, um dia quando ela conhece um homem e se apaixona, nem tendo grande prazer no sexo e constatando que ele, no fundo, é uma besta quadrada paranóica que quase a leva à loucura.

Com os sonhos de se enamorar ruídos completamente, Valérie decide fazer o que mais gosta, ou seja, ter sexo, arranjando emprego num prostíbulo, onde se prostitui. Eventualmente volta a apaixonar-se, mas mais uma vez por alguém por quem não devia, pois se há coisa que sabemos – e tirando um “fuck buddy” seu de nome Hassan- todos os homens neste filme são um bando de idiotas clichés.

O maior problema de “Diário de uma Ninfomaníaca” é que funciona contra aquilo que, no fundo, quer defender. Ao recorrer a clichés, fá-lo na forma de um fado, dando quase certo como um destino invariável de mudança a condição de que os homens são uns biltres, por isso…vamos ser secas e ocas de sentimentos como eles.

A condição da mulher não é assim melhorada, é apenas transportada para o patético mundo dos homens deste filme.

Molina é muito responsável por isso, e Belèn Fabra, a Valérie, sofre com isso, pois a sua interpretação é fulminante e merecia muito mais.

Provavelmente muita gente não vai concordar nada com isto que acabei de dizer, mas isso é sempre o problema de filosofar ou tratar de forma quase sociológica qualquer filme.

Base:  “Diário de uma Ninfomaníaca” deixa muito a desejar, e se a tal frase foi criada pelos homens para controlar as mulheres, o enredo deste filme foi feito pelos mesmos para fazer dinheiro. Não sei qual o pior… 5/10

O Melhor: Belèn Fabra
O Pior: Clichés e mais clichés

 Jorge Pereira

Últimas