Depois de curtas-metragens de ficção e documentários como “Adri” (2013), “Nor-nori-nork” (2018), “Polvo somos” (2020) ou a longa-metragem “Voces de papel” (2016), a basca Estibaliz Urresola Solaguren levou à Semana da Crítica do Festival de Cannes o seu mais recente trabalho, “Cuerdas”, um objeto ficcional que podíamos  enquadrar no cinema de Ken Loach (e até Brizé), mas que já apresenta uma verdadeira assinatura contemporânea dentro do ecofeminismo.

No centro desta história está um drama sobre um grupo coral que depois de perder os apoios que a autarquia dava para alugar espaço para os ensaios, vê uma petrolífera, que há anos polui a região, oferecer o seu patrocínio. O foco é contudo a família de Rita (90 anos), que vive com o filho e o neto, todos eles ligados diretamente a essa petrolífera.

Assente num dilema moral, que vai dividir as integrantes do coro, “Cuerdas” é povoado – na mais recente tradição espanhola – por não atores que dão a tudo o que assistimos um tom naturalista intrínseco, fazendo muitas vezes lembrar o cinema documental. E esse é o maior triunfo de Estibaliz Urresola, que se documentou para este trabalho junto de áreas onde a indústria poluidora afeta bastante as populações, recolhendo testemunhos que depois ficcionalizou num trabalho que não deixa o capitalismo selvagem e a desumanidade laboral daí resultante incólume a críticas.

Pontuação Geral
Jorge Pereira
cuerdas-dilemas-morais-e-ecofeminismoUm objeto ficcional que podíamos  enquadrar no cinema de Ken Loach (e até Brizé), mas que já apresenta uma verdadeira assinatura contemporânea dentro do ecofeminismo