Quando se fala de filmes-catástrofe, não existe país mais eloquente na gestação de blockbusters nesta esfera como os EUA, isto mesmo contando com a “entrada em competição” nos últimos anos de paises como a China, com objectos de ficção científica espampanantes, ou ainda com a ocasional produção do género vinda da Coreia do Sul. E se nomes como Roland Emmerich, entre outros, já “tentaram” destruir a Terra de mil e uma maneiras (de invasões extraterrestres a profecias, passando por meteoritos e a própria lua em rota de colisão com o nosso planeta), na Europa, em particular na Noruega, este tipo de filmes tem encontrado escoamento através de objetos como “Bolgen – Alerta Tsunami” ou “Terramoto”, projetos que, apesar de não chegarem ao nível orçamental norte-americano, mostravam espetáculo e uma dose razoável de emoções humanas por entre ondas gigantes e sismos devastadores.
É precisamente nessa equação norueguesa que chega até nós o nome de John Andreas Andersen, o realizador que trabalhou nos dois filmes nórdicos supramencionados e que propõe agora uma nova tragédia, desta vez passada no Mar do Norte e com inúmeras plataformas petrolíferas a caminho da extinção.
E se a maioria destes filmes-catástrofe, ora apresentavam eventos naturais sem qualquer culpabilidade do homem (vulcões, terramotos), ou ameaças externas ao planeta (meteoritos e aliens), especialmente depois de “O Dia Depois de Amanhã”, um filme onde as alterações climáticas desregularam o planeta com consequências brutais, começa a ser a própria ação humana a responsável pelas grandes tragédias.
No caso de “Mar do Norte”, a sobreexploração humana dos recursos torna o fundo do oceano numa espécie de ‘queijo suíço’, pronto a desabar e a levar consigo as plataformas de petróleo que há cerca de cinquenta anos exploram desenfreadamente a região. Apesar das sequências catastróficas de encher o olho, o filme cruza esse lado mais espetacular com um estilo próximo do documental, em particular na forma como aborda a ação humana na região, ação que serve como uma espécie de prólogo a uma narrativa centrada sobretudo no drama de uma jovem (a estrela de “NinjaBaby”, Kristine Kujath Thorp) que tenta salvar o companheiro ( Henrik Bjelland) da morte certa.
“Além de termos muito menos dinheiro que os blockbusters norte-americanos, os filmes nórdicos apoiam-se mais na construção e desconstrução das personagens”, explicou-nos John Andreas Andersen, por alturas da estreia portuguesa do seu anterior filme, “Terramoto”. E é precisamente essa fórmula que aqui encontramos novamente, agora com uma clara mensagem ambiental na reflexão das consequências dramáticas da exploração humana desenfreada de recursos naturais que todos sabemos serem finitos. De resto, é num tic tac constante, onde amor, resiliência e bravura se misturam para “salvar o dia”, que John Andreas Andersen se revela mais capaz de voltar a criar uma forte empatia entre as personagens e o público, ou não tivessem as suas imagens o poder de ultrapassar o campo da ficção: muita da destruição que vimos no filme já aconteceu na realidade, uma realidade com eco nos noticiários e que já inspirou recriações cinematográficas, como bem o vimos em “Deepwater Horizon“.




















