Vibrante é o adjetivo que melhor encaixa na nova encarnação de “Top Gun”, quase 40 anos depois do primeiro ser lançado nas salas, bem antes de Tom Cruise se tornar na estrela universal que é.
E vibrante porque o realizador Joseph Kosinski, com quem Cruise de resto já tinha trabalhado em “Oblivion”, consegue criar um objeto tenso pela forma como oferece à ação um impulso imparável, evitando recorrer a artifícios de maior e a uma lógica que parece ter tomado a indústria como refém. É que se os efeitos especiais e o próprio cinema digital vieram provocar uma revolução na sétima arte, já na aviação militar os drones vieram rescrever as regras do jogo, fazendo dos pilotos peões obsoletos num mundo cada vez mais computadorizado. “Top Gun: Maverick” vem em igual medida celebrar e colocar à prova a adrenalina do coração humano, colocando a personagem de Cruise no centro deste “combate”. É ele o responsável pelo ensino de uma nova geração de pilotos que não tarda por aprender o sentido de uma “missão imposível”, e é nesse novo sangue militar que encontramos Bradley ‘Rooster’ Bradshaw (Miles Teller), o novo “Maverick” em cena, que para além das suas enormes capacidades de pilotar (trata-se, afinal de contas, do filho do Goose do primeiro filme), é também um piloto que vai encontrar em Jake ‘Hangman’ Seresin (Glen Powell) um rival à altura de “Iceman”, o antagonista que Val Kilmer encarnou em 1986.
E há, naturalmente, uma pitada de romance (bem maduro) à mistura, com Jennifer Connelly ao serviço de um enredo que assenta em três chaves: essa incontornável história de amor; outra de coragem na execução de uma árdua missão; e outra ainda da criação do espírito de grupo, uma atitude capaz de tornar os atritos em águas passadas, especialmente aqueles relacionados com a história do pai de “Rooster”, uma tragédia que ainda pesa na consciência de Maverick.
Nos últimos anos temos visto várias sequelas tardias de clássicos dos anos 80, as quais tentam fazer a transição para uma nova geração de atores, à boleia de uma enorme carga de nostalgia na tentativa de seduzir fãs do material original (pense-se em “Os Caça-Fantasmas”). “Top Gun: Maverick” também vive disso e, se é impossível ficar indiferente ao regresso à cena de Val Kilmer, há também por aqui a vontade e prazer em abrir literalmente novos caminhos para elevar este segundo filme a um patamar superior relativamente ao primeiro, um filme que muitas vezes caía na melosidade sentimental, com o tema dos Berlin (Take My Breath Away) sempre em pano de fundo, o que viria até a ser motivo de paródia em “Hot Shots” (Ases pelos Ares).
Que todas as sequelas tardias fossem assim.




















