É quase impossível não nos lembrarmos de “Argo” de Ben Affleck e “JSA” de Park-Chan Wook quando falamos de “Exit from Mogadishu”, projeto que a partir de uma história verídica nos leva até à Somália, ao início da guerra civil, com diplomatas sul e norte-coreanos em conflito nos bastidores da decisão da Coreia do Sul entrar para a ONU, a terem de por divergências de lado e unir esforços para escapar ao caos que se instalou no local.
Frequentemente genérico, no arranjo narrativo e desenvoltura formal e estética, o filme alcança no terceiro ato os seus maiores dividentos, todos eles em torno de ação frenética , com a câmara a navegar entre várias viaturas numa perseguição absorvente e com uma destreza absolutamente electrizante.
No resto, como em “Argo”, é um filme de fuga perante o caos de uma revolução, ou neste caso uma guerra civil, e como em “JSA”, um drama de união de dois inimigos históricos derivado de circunstâncias muito particulares.
Totalmente binário na disposição dos bons e maus da fita (todos os somalis são corruptos e implacáveis), “Exit from Mogadishu” é um filme totalmente orientado para o thriller de ação, embora tenha suficientes doses de drama e o já inevitável humor para adocicar o peso dos eventos que observamos.
Por isso, é um filme de entretenimento onde qualquer questão política é abalroada por mensagens pacificadoras e humanistas. E do “filme de cerco” ao “filme de fuga”, “Exit from Mogadishu” leva-nos a uma história pouco conhecida no ocidente, mas que acima de tudo tem um carácter universal.



















