A chegada do amadurecimento sexual (puberdade), naquilo que se define como o ritual de passagem da infância para a adolescência, é o ponto central do novo filme da Pixar, a outrora “galinha dos ovos de ouro” da Disney, entretanto transformada em fonte exclusiva para alimentar a sua plataforma de streaming (Disney +).
E a chegada desse “processo de distanciamento de formas de comportamento e privilégios da infância” e “aquisição de características e competências que o capacitem a assumir os deveres e papéis sociais do adulto”, é trabalhada pelo estúdio de “Toy Story” e “Finding Nemo”, e pela realizadora Domee Shi, através de uma animação 3D repleta de cor, energia e simbolismo, onde o real e o mítico se fundem para entregar ao espectador o ritual de passagem de uma menina, Mei, que vive em Toronto com a família, e que logo após a chegada da menstruação vê-se transformada num panda-vermelho gigante.
Além das transformações físicas e psicológicas inerentes ao processo, que afetam a forma como vemos e sentimos o nosso corpo e mente, o filme debruça-se na forma como esse processo é visto do exterior, em particular pela família e amigos de Mei, com a mãe da jovem a manter um acirrado olhar infantil sobre ela, mesmo que esta já esteja numa fase de transformações biopsicossociais que afastam das “asas” maternas.
Enraizado na cultura e tradição chinesa a partir de uma pequena comunidade de Toronto, no Canadá, e atravessando três gerações, o filme joga com o passar de testemunho, o legado e o papel das raízes na confluência de dois mundos (oriental e ocidental) a partir da experiência de uma imigrante de segunda geração, que terá de optar entre participar num ritual tradicional ligado às raizes chinesas, mantendo assim o cordão umbilical com a entidade materna, e a presença com as amigas num concerto de uma boys band de quem é fã incondicional.
É inevitável não nos lembrarmos de “Divertida Mente” quando vemos “Turning Red”, mas as semelhanças resumem-se apenas na história de amadurecimento e transição, já que que esteticamente e criativamente, esta nova produção da Pixar tem uma vida, olhar e marca pessoal muito vincada da sua criadora, que antes tinha assinado o vencedor do Oscar de curta-metragem, ”Bao”.



















