Pegar na urgência temática dos tiroteios nas escolas norte-americanas, na psicologia da perda de um ente querido e usá-lo a belo prazer para criar um thriller oco e superficial, que se transforma em drama chorão e finalmente em panfleto político vazio, não revela apenas um sentido manipulador profundamente condenável, mas eticamente irresponsável na mais pura forma de exploração.
Em “The Desperate Hour” acompanhamos Naomi Watts como uma mãe a fazer jogging em nenhum lugar e que descobre que houve um tiroteio na escola do filho. Sem meio de transporte para regressar a casa ou ir diretamente para a escola, sendo o correr a única forma de sair do local, ela vai dando instruções, fazendo investigações e derradeiramente envolver-se no próprio crime.
Phillip Noyce, habituado ao género do thriller nas suas vertentes mais frenéticas e explosivas (Salt), mas igualmente mais pausadas e atmosféricos (O Americano Tranquilo), consegue criar uma dinâmica “em tempo real” à “The Guilty” neste seu “one woman show” que caminha a passos largos para a improbabilidade, mas em vez de um terminal informático, uma personagem a ultrapassar um drama pessoa e uma secretária no meio de um call center, temos um smartphone e Naomi Watts a correr por um bosque e a tropeçar.
Todo o filme desenrola-se do lado da atriz, que entrega uma prestação segura e autêntica no campo físico, algures entre o desespero e a intromissão, num vale tudo que tanto se revela auxiliar como prejudicial. Mas quando entramos no campo da psicologia do evento, e no medo comum de muitos país norte-americanos, o guião carrega toda uma irresponsabilidade de quem está a aproveitar um drama real para vender pipocas, com a montagem e a cinematografia sem sintonia para criar no espectador um nervoso permanente que no final aliena o próprio espectador do problema real e o leva para o terreno do sentimentalismo barato e das resoluções fáceis.



















