Ainda recentemente, também inspirado no sucesso de “Halloween” nos cinemas, o mais recente “Scream” dava uma “masterclass” sobre a tendência de Hollywood em repegar nas suas franquias de sucesso no formato de requel, ou seja, criar um misto de sequela, remake e reboot, para trazer para as novas audiências, respeitando as antigas, velhos filmes de culto. 

Tendência e modus operandi que se repete neste novo “Massacre no Texas”, estreado na Netflix, que pegando na famosa história do assassino da motosserra, Leatherface, e da sua tenebrosa família, dá-lhe uma continuidade na cidade texana de Harlow, agora deserta e invadida por um grupo de jovens idealistas (que recusam o estatuto de ‘seita’) prontos para a gentrificação do local.

Curiosamente, gentrificação também foi o tema de “Candyman”, mas neste “Massacre no Texas é apenas uma palavra, desculpa e piada que servirá de base para Leatherface fazer um novo massacre, agora de millenials.

Embora a assinatura do filme esteja nas mãos de David Blue Garcia, sente-se muito o dedo de Fede Alvarez, escritor e produtor, que entre um humor contemporâneo (baseado nessa gentrificação, espírito Woke, redes sociais e até cultura do cancelamento), o gore nos limites e um drama com mensagens políticas (a nossa heroína é sobrevivente de um massacre numa escola), entrega um filme que mistura o novo e o antigo, sempre com olho na sua continuação.

Mas “decente” é o único adjetivo que podemos arranjar para este filme que se sente mais uma série (e este foi o episódio piloto), embora os fãs de todas as sequelas da franquia possam sempre se divertir com a forma hiperbólica com que tudo é apresentado, seja drama, comédia ou ação.

Mas olhando para o filme original, um portento de tensão psicológica aliada a imagens de horror e construção de personagens, este novo “Massacre no Texas” é apenas mais um objeto serializado que não acrescenta nada a uma franquia que tem no seu primeiro filme o único verdadeiramente memorável e brutal.

Pontuação Geral
Jorge Pereira
massacre-no-texas-leatherface-contra-a-gentrificacaoUm objeto serializado que, embora decente, não acrescenta nada a uma franquia que tem no seu primeiro filme o único verdadeiramente memorável e brutal.