É quando a personagem de Ryan Reynolds assobia a certo momento o tema musical de Indiana Jones, enquanto desce por um bunker nazi na Argentina, que o espectador tem consciência das saudades que tem dos filmes do intrépido arqueólogo, cuja ausência deixou um género cinematográfico quase órfão ou entregue a produtos menores dependentes totalmente das suas estrelas (pense-se em “O Tesouro” ou o recente “Jungle Cruise”).
“Red Notice” (Alerta Vermelho) é parte filme de aventura, no seu melhor, parte objeto de ação com dinâmicas heist, no mais banal, e parte comédia com o engenho dos “buddy films” no mais corriqueiro e repetitivo.
A chave aqui são três ovos dourados de Cleópatra, dois ma posse de colecionadores privados, um deles desaparecido. Quando um milionário egipcio oferece 300 milhões a quem lhe oferecer os três ovos, que servirão de presente de casamento para a filha, dois dos mais famosos ladrões do mundo, “o bispo” (Gal Gadot) e Nolan Booth (Ryan Reynolds), partem para os roubar, encontrando pelo meio um profiler do FBI (Dwayne Johnson) e uma agente da Interpol (Ritu Arya).
Todo o filme e personagens estão moldadas à personas cinematográficas dos atores em cena. Dwayne Johnson é a força bruta, mas também o cérebro (Como em “Jungle Cruise” ou “Bem-Vindos a Selva”); Gal Gadot é a sensualidade e genialidade (com a sua imagem de “Mulher Maravilha” chamada ao barulho); e Ryan Reynolds é o sentimental e comic relief, mais uma vez a repetir o que já faz desde “Deadpool” e vimos recentemente em “Free Guy” ou “O Guarda-Costas e a Mulher do Assassino”.
Com twists ou não, não existe realmente qualquer surpresa ou originalidade neste “Alerta Vermelho”, que pegando em todos os clichés dos géneros envolvidos apenas nos entrega um produto típico dos anos 90 totalmente dependente de quem o interpreta. Por isso, navegamos consecutivamente entre destinos mais ou menos exóticos (De Roma ao Egipto, passando pela Argentina, Rússia e Valência) encontrando pelo caminho agentes da lei obsoletos, gangsters estilizados e muita ação padronizada, algumas vezes over the top (veja-se a cena da bazuca e helicóptero) para dar aquele ar de “não levem nada disto a sério” e um espectaculoso número de stand up comedy de Ryan Reynolds, que a cada filme se esgota.
Nada de novo, tudo reciclado. E, para muitos, o “fun” é isto: a repetição de formas e conteúdos em jeito industrial apenas e só para divertimento momentâneo. Mas isso não chega…
















