Por estas alturas torna-se obsoleto falar de qualquer filme fora da esfera Marvel/Disney ou DC/Warner como objeto comparável a qualquer um daqueles que estes multiversos gigantescos de adaptações de banda-desenhada lançam em modo industrial. 

O primeiro “Venom” não tentou de todo imitar ou inserir-se nessas andanças, parecendo mais ser um parente afastado do “Homem-Aranha” de Sam Raimi na sua forma de atuar como objeto a solo, mas com garras de andar noutros caminhos, ainda que personagens e história não tenham  suficiente  bagagem para ir além do filme de puro entretenimento para fãs.

Venom: Tempo de Carnificina” segue na mesma linha, mas acentua o seu peso nas tentativas de humor, compondo uma relação mais dependente, problemática, possessiva e muitas vezes hilariante de Eddie Brock (Tom Hardy) e a entidade simbiótica que vive com ele, Venom. Sim, ao seu jeito, esta é uma comédia de ação intencional com o tom de buddy movie.

Estranhamente curto para os dia de hoje (1h30), “Venom: Tempo de Carnificina” é de certa forma também uma história de amor (e desamor), de um relacionamento complexo humano-extraterrestre  que acaba por encontrar a sua simbiose na luta contra um vilão, Carnage, assumido por Cletus Kasady com a dinâmica e carisma que é reconhecido ao ator que o interpreta, Woody Harrelson. Depois de escapar a uma execução que se dizia certa, Cletus tem dois objetivos: além do caos generalizado, ele quer caçar Brock/Venom e recuperar Frances, também conhecida como Shriek (Naomie Harris).

Tudo isto é apresentado exemplarmente de forma técnica, com destaque para a arte do movimento de Venom e Carnage, algo que o realizador Andy Serkis é perito,  mas globalmente tudo também parece muito pouco para um mundo de entretenimento entupido com sagas de heróis, anti-heróis e vilões, que atacam no cinema, televisão, livros de quadradinhos, videojogos e ainda na web. E mesmo que nesta sequela não exista um único momento em que se procure a seriedade dos filmes Marvel, ou um tom semi-sério dos produtos DC, a experiência deste novo Venom revela-se acima de tudo derivativa do primeiro filme.

Assim, “Venom: Tempo de Carnificina”  sobrevive essencialmente do humor e sequências de ação repletas de estardalhaço e viscosidade, mas no final das contas sente-se muita vezes ter uma dinâmica e espetáculo incapaz de rivalizar com os demais filmes do género. Mas os resultados do box-office estão aí para me contrariar, provando porque razão a Sony continua a apostar nesta personagem cuja forma ligeira e descomprometida parece destinada a conquistar muito público.

Pontuação Geral
Jorge Pereira
carisma-de-tom-hardy-e-woody-harrelson-nao-salva-venom-tempo-de-carnificinaUm espetáculo incapaz de rivalizar com os demais filmes do género